Sábado, 15 de Maio de 2010

Entre eles debateu-se o título. Uma luta aparentemente equilibrada até ao Benfica-Porto que levou a decisão da competição dos relvados para os túneis e daí directamente para a secretaria. A partir de então o duelo passou a ser a dois e acabou por coroar a equipa que mais investiu para arrebatar o segundo Penta da história azul e branca. Um trio de ases que definiu a época futebolistica lusa.

 

 

Mais um ano de investimento. E finalmente o título.

Depois de quatro projectos falhados o Benfica consegue arrebatar o título ao FC Porto. Um ano de altos e baixos de uma equipa que ganhou, e muito, com a chegada de Jorge Jesus. O técnico finalmente sagrou-se campeão, depois de anos perdido na metade da tabela. Chegou a uma equipa repleta de "estrelas" e de mão beijada recebeu de Rui Costa um trio mais. Saviola, Javi GarciaRamires chegaram para dar equilibrio ao meio-campo. Fábio Coentrão foi repescado enquanto que Patric e Schaffer foram apostas falhadas, de que poucos se lembraram. O técnico montou um 4-4-2 com Aimar no apoio a Saviola e Cardozo. Atrás Di Maria, Ramires e Garcia num trio de combate e magia. O Benfica começou em alta voltagem, jogando bem e marcando muito. A derrota em Braga começou a mostrar os pequenos defeitos do conjunto encarnado. Repetidas vezes as águias acabaram por jogar contra rivais reduzidos a 10 e 9 unidades. As suspeitas arbitrais ganharam forma e o caso dos tuneis, de Braga e da Luz contra o FC Porto, surgiram em Janeiro como uma autêntica bomba. Com os rivais directos debilitados o Benfica continuou a sumar pontos. Mas já sem convencer. De tal forma que os sucessivos tropeções, aqui e ali, foram adiando o sonho do titulo. A vitória face ao Braga deixou meia porta aberta. Foi preciso esperar aos últimos minutos da época para escancará-la por completo. O nervosismo de um colectivo que viveu muito da inteligencia táctica do seu técnico (muitos foram os suplentes a resolver situações de aperto) e de decisões administrativas que acabaram por tingir o mérito desportivo de uma equipa que poderia ter-se bastado a si própria no terreno de jogo. Algo que nunca se saberá verdadeiramente. Fica a próxima época para confirmar a voltagem dos novos campeões.

 

 

Se havia equipa que merecia o título de campeão esta época, era sem dúvida o Sporting de Braga.

Com um plantel de remendos, um treinador sem um grande background e alguns obstáculos inesperados, o Braga lutou até ao último minuto. Algo que só Boavista e Belenenses tinham logrado em toda a história do futebol português. Ao contrário de axadrezados e azuis, os bracarenses não tiveram a mesma sorte. Por um fio.

A pré-época começou cedo e cheia de dúvidas depois da precoce eliminação da Europe League. Mas esse foi o tónico que Domingos precisava. O técnico montou um onze à sua medida, com um meio campo inspirado em Vandinho, Mossoró e Hugo Viana e uma defesa de betão. Vitória frente aos três grandes na primeira volta e vários sustos levaram o Braga a sonhar. Todos pensavam que o conjunto arsenalista perderia o ritmo mas nem a suspensão de Vandinho e Mossoró pela Liga de Clubes baixaram o ritmo do Braga. As derrotas no Dragão e na Luz pareciam ditar a sua sentença, mas sem desanimar o Braga voltou à luta, aproveitou tropeções e chegou ao último dia com a legitimidade de sonhar. O título perdeu-se por pouco mas a hipótese de se estrear na Champions League foi um justo prémio a uma equipa sem estrelas e sem dinheiro que soube bater-se de igual para igual com os orçamentos muito superiores de Benfica e Porto. Afinal a época foi deles!

 

A época mais decepcionante da história azul e branca da última década.

Não é só o facto dos campeões em titulo falharem o apuramento para a Champions League pela primeira vez desde 2002. Foi a forma como a época se desenrolou. Entre os problemas administrativos que mantiveram Hulk fora de combate largos meses, as sucessivas lesões em jogadores chave, fruto de uma péssima pré-época na Andalucia, e uma clara má preparação do plantel viveu o dragão. O ano começou com perigosos tropeções e uma equipa que não entusiasmava. As perdas de Cissokho, Lucho e Lisandro não tinham remendo à altura e em Dezembro, nas vésperas do duelo da Luz, o FC Porto seguia a 4 pontos do lider. A derrota, a má exibição e os problemas seguintes marcaram a época. Hulk suspenso, Rodriguez em algodões, os capitães Alves e Meireles em péssima forma, e um Jesualdo desorientado, pautaram o comportamente ziguezaguente dos azuis em Janeiro. A chegada de Ruben Micael trouxe algum equilibrio a um meio-campo partido. Com a goleada ao Braga parecia chegar o tónico "à Porto", mas a surpreendente derrota em Alvalade acabou com as esperanças de chegar ao título. Já com Hulk absolvido e Falcao em estado de graça, a equipa arrancou para uma notável parte final de época, incluida uma vitória esmagadora face ao Benfica. Não chegou. E ficaram muitas licções por tirar para o futuro.



Miguel Lourenço Pereira às 15:24 | link do post | comentar

6 comentários:
De facepalmjpg a 16 de Maio de 2010 às 02:50
"As suspeitas arbitrais ganharam forma e o caso dos tuneis, de Braga e da Luz contra o FC Porto, surgiram em Janeiro como uma autêntica bomba."
Não achas que os jogadores que agridem elementos do jogo devam ser punidos? Tal como foi Cantona? Ou é só nas ligas estrangeiras, onde não joga o Porto?


De Miguel Lourenço Pereira a 16 de Maio de 2010 às 12:32
Meu caro,

Ter em consideração stewarts como elementos do jogo é uma ideia peregrina e, como se viu, não sustentada por qualquer regulamento desportivo europeu. Mas, mais do que castigar um jogador por agredir um elemento que nem é parte do jogo, revolta-me o conceito tipicamente portugues das suspensões preventivas.

Se a punissão dos jogadores tivesse sido anunciada na mesma semana, como foi, por exemplo, no caso alemão, a imagem dada seria outra. Mas assim é Portugal e há quem não se preocupe em festejar titulos com essas sombras por cima.

Estão no seu direito!

cumprimentos


De facepalmjpg a 16 de Maio de 2010 às 23:17
"Revolta-me o conceito tipicamente portugues das suspensões preventivas." Também eu acho risível o conceito, mas que fazer. São os clubes que fazem os regulamentos, e cada qual puxa a brasa para a sua sardinha. Daí os regulamentos imbecis. Além do mais, o regulamento português prevê (tacitamente) os stewards como elementos do jogo. Também acho uma grande treta um steward ser equiparado a um membro do público e o castigo por agressão ao mesmo ser de 3 a 5 jogos. Acho um atentado ao bom senso e a quem dá o dinheiro (que tanto custa a ganhar) para ver o espectáculo. Não deverão estes ser, mais que tudo, protegidos? Enfim...

"...há quem não se preocupe em festejar titulos com essas sombras por cima." Sem sombra de dúvida! Ou não fosse assim desde 1978 para os lados de Contumil. Como se costuma dizer, quem tem telhas de vidro não atira pedras ao telhado dos outros.


De Miguel Lourenço Pereira a 17 de Maio de 2010 às 10:06
Caro Face,

Realmente a legislaçao desportiva portuguesa é um desastre, como muitos aspectos do nosso desporto, mas nunca uma circunstância tinha sido levada ao extremo de deixar jogadores suspensos de forma preventiva durante mais de dois meses. Fosse quem fosse o clube, essa situação seria digna de uma exposição à UEFA da mesma forma que foi feita uma aquando do final da época 2007/2008.

Quanto às sombras e aos festejos, o seu comentário, naturalmente expõe a sua natureza "anti" mais do que seria desejável. Qualquer titulo, de qualquer clube, chama-se FC Porto, Sporting, Boavista ou Benfica, deveria estar por cima das sombras da suspeição. Mas há anos onde a situação ultrapassa os limites do aceitável. Esta época foi uma delas, mas, infelizmente, não foi a única.

cumprimentos


De facepalmjpg a 17 de Maio de 2010 às 17:34
Acho extremamente engraçado o seu comentário em que eu "exponho a minha natureza "anti" mais do que seria desejável". Creio que foi o senhor que começou a falar em "sombras" e "manobras de direcção". Quanto aos títulos questionáveis, são todos, ganhos por qualquer clube, com mais ou menos mérito.
Faz parte do futebol português os "ses", os "jogos a jogar contra dez" (não questionando a justeza das expulsões, imagine-se), os "penalties" (idem aspas), "os golos depois da hora" (antes dos noventas minutos), etc. Não estou a falar de alguém a particular, até porque a carapuça serve a todos. É o típico português: mesquinho, trocista e que não sabe perder. Qualquer conquista é posta em causa. Nada escapa. Nada mesmo.

O "aceitável" não tem limites. Ou terá, quando as pessoas deixarem de vez de ir aos estádios.

Quanto ao artigo em si (tinha reparado neste pormenor mas só agora é que decido discutir), não atribui a boa ponta final de época do Porto ao facto de Jesualdo ter mudado a táctica e Belluschi ter ganho preponderância, mais liberdade para se movimentar e mais espaço para ser criativo, em vez de estar "preso" ao 4-3-3 que só serve para transições rápidas?


De Miguel Lourenço Pereira a 18 de Maio de 2010 às 08:16
Meu caro,

Não podendo nunca concordar com o circo que a Liga montou, para prejuizo de todos, especialmente do futebol, com as questoes das suspensoes de Janeiro, é inevitável que considere que este campeonato nao foi totalmente claro.

Nao tira isso mérito ao Benfica, a equipa que praticou mais vezes o melhor e mais eficaz futebol. No entanto se no caso do FCP essa suspensao nao fez propriamente mal e nao altera numa virgula a pior época da década, já num clube pequeno como o Braga, as suspensoes de Mossoro e Vandinho fizeram mossa. E nao as vi tao claras e justas como que para fingir que nao existiram.

Passando esse detalhe acho que o pódio final espelha bem o futebol portugues deste ano, as forças desportivas estao no seu sitio, no mesmo que mereceram no relvado. E sim, a epoca final do FCP deve-se muito ao ajuste tactico de Jesualdo e à subida de forma de tres ou quatro elementos que estiveram irreconheciveis grande parte do ano.

Um abraço


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