Sábado, 8 de Maio de 2010

Um Mundial em África é, já por si, uma imensa incógnita. No entanto, dentro do espectro de países africanos poucos podem oferecer tanta diversidade como a África do Sul. Durante um mês de prova (ou quinze dias para os menos afortunados), as 32 selecções participantes terão de viajar mais de 1000 kms em avião e conhecer três climas bem distintos. Razões mais do que suficientes para pensar que o primeiro passo para vencer o Mundial é acertar com o centro de estágio.

Enquanto a imprensa se preocupa com a lista dos 23 de cada país, as equipas técnicas olham para outros detalhes que, a longo prazo, podem ser mais importantes do que o terceiro guarda-redes ou o quarto central escolhido pelo seleccionador. A experiência do Mundial de 2002 ainda está bem presente. As equipas europeias chegaram à Coreia do Sul e Japão com relatórios errados e escolheram estagiar, na maioria dos casos, em locais que nada tinham a ver com o clima humido e quente que iriam encontrar. Viu-se na forma fisica de muitos dos colossos europeus e Portugal foi apenas o caso mais gritante. Agora que a prova máxima do beautiful game abandona de novo o território europeu, as dúvidas regressam. Viajar até ao ponto mais a sul do continente africano pode bem ser uma odisseia. Não é só que a África do Sul esteja a entrar no seu Inverno. É que durante o torneio as equipas terão de circular pelo país. Acabou-se há muito o conceito de cidade-sede que esteve vigente até 2002. Essas deslocações implicam longas viagens de avião antes e depois dos jogos. E passar de um clima seco e frio de altitude a um clima chuvoso e húmido da costa, atravessando a longa e temperada savana. Muitos ses numa equação que se começa a resolver com uma escolha fundamental: onde se instalam os quarteis-generais de cada selecção.

 

As condições e ofertas da África do Sul em matéria hoteleira não estão na vanguarda do mundo. Mas terão de servir. Num país onde nenhuma das três capitais (Pretória, Bloemfontein e Cape Town) é a maior cidade (Joannesburg), há que espalhar o espectáculo por uma linha de mais de 4000 mil kms.

A decisão da FIFA de ter jogos em lugares tão distintos como a ventosa Cape Town, no extremo sudoeste, ou Polokwane, junto à fronteira com o tropical Moçambique, é um sério quebra-cabeças para as equipas participantes. Perante este desafio às equipas participantes, principalmente as selecções europeias que, historicamente, se dão mal longe do seu habitat natural, foi exigido que encontrassem um centro de estágio localizado num local estratégico. Um local onde tivessem a certeza de que as variações climatéricas seriam as minimas sempre que tivessem de se deslocar para um desafio. Apesar da lógica indicar a zona norte do país (onde se concentram cinco das nove cidades-sede) como a ideal, a verdade é que há uma grande diferença entre a altitude fria e seca de Rustenburg com o tempo ventoso e chuvoso dos jogos na costa, ou na tropical Bloemfontein. E nesses centros irão disputar-se grande parte dos jogos chave a eliminar.

A maioria das equipas sul-americanas e africanas partilham com a África do Sul a estação outonal e estarão habituados às constantes variações de tempo. A média habitual para os meses de Junho e Julho oscila entre os 8 graus de minima e os 18 de máxima. Mas podem atingir valores de 2 graus no norte e 23 no centro. Isso sem esquecer que Junho é, por defeito, o mês das chuvas por excelência do periodo outonal na costa sul de África. A juntar ao vento, que historicamente faz parte do quotidiano local, e fica montado um verdadeiro cocktail de alterações climáticas dificeis de prever.

A esmagadora maioria das equipas chegarão o mais tarde possível à África do Sul. Muitos preferirão um estágio em altitude nos seus habitats naturais para garantir um reforço das reservas de oxigénio. Chegar tarde ao local do certame significa também um choque menor às mudanças climatéricas já que os primeiros dias não afectam a performance desportiva dos atletas. Outros haverá, como México ou as Coreias, que chegarão muito antes às suas sedes para garantir uma assimilação total do clima autóctone. Portugal irá seguir o exemplo da maioria europeia. Um estágio na Serra da Estrela, em altitude, e uma passagem por Moçambique antes de rumar ao centro de estágio. Uma decisão que faz lembrar, em parte, a escolha nefasta de Macau para estagiar, apenas pelas ligações históricas dos dois estados. Porque o clima moçambicano, apesar de ter algumas semelhanças com a costa leste sul-africana, nada tem a ver com o que irá encontrar Portugal na fase de grupos já que todos os jogos serão disputados na costa. Isso implica um clima humido, ventoso, frio e em constante mutação. Mas também significa uma distância percorrida de muitos kilómetros. E não ajuda a explicar o porquê da escolha de um centro de estágio em altitude, em Magaliesburg, cidade localizada entre Pretória e Joannesburg, no norte do país. Para cada desafio Portugal terá de voar e muito. No jogo inaugural, frente à Costa do Marfim em Port Elizabeth, a comitiva terá de percorrer 2400 kms. Contra a Coreia do Norte, em Cape Town, serão 3000 kms. E por fim, o encontro final face ao Brasil em Durban, levará a uma viagem de ida e volta de 1500 kms. São quase 7000 mil kms para disputar três encontros, sem esquecer que, caso se apure, Portugal poderá efectuar, como muito, um jogo em Joannesburg. Todos os restantes voltarão a disputar-se ao largo da costa até à final. Então porquê este risco?

Portugal procurará provavelmente a altitude antes da comodidade. Os jogos espaçados em quatro dias dão algum tempo de recuperação. Mas fazem levantar dúvidas sobre se a escolha foi, realmente, a mais adequada. Treinar diariamente com um clima e jogar com outro poderá ser um erro mais grave do que um ponta-de-lança a mais ou a menos. Curiosamente, Espanha, que chega com legitimas ambições para fazer história, elegeu uma cidade bem perto de Portugal. Com a diferença de que os jogos que disputará estão todos num raio de "só" 600 kms de distância. O futuro dirá quem conseguiu fazer do centro de estágio um elemento chave na campanha mundialista.



Miguel Lourenço Pereira às 05:23 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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