Quarta-feira, 5 de Maio de 2010

Teve uma carreira atípica para qualquer avançado holandês. No entanto os seus golos sempre tiveram contornos decisivos desde Aos 35 anos o atirador-franco holandês decide pousar as armas depois de quinze anos a reinar na elite dos grandes goleadores do "Velho Continente". O "Fantasma" deixará de ensombrar os defesas rivais.

 

Foi na sua etapa no Bayern Munchen, já considerado então um dos máximos artilheiros do futebol mundial, que o Rudolph Makaay foi apodado de "Fantasma". Uma escolha dos adeptos bávaros para descrever um ponta-de-lança que tinha o talento inato de aparecer do nada e marcar. Assim foi a sua vida durante quinze anos, uma constante assombração para os defesas rivais.

Roy Makaay começou a sua carreira em clubes amadores holandeses e aos 18 anos começou a dar nas vistas no modesto Vitesse Arnhem, cidade perto da qual tinha nascido no Inverno de 75. Abençoado com o dom do golo, talvez herança dessa época mágica onde ser holandês era o sonho da maioria dos amantes do beautiful game, o dianteiro emergiu como a grande estrela jovem do futebol holandês. Em 104 jogos, divididos em quatro temporadas, apontou 50 golos. Mesmo assim a sua veia goleadora passava desapercebida face ao renascer do Ajax de um tal promissor Patrick Kluivert, ou do emergir de um brasileiro, avançado do PSV, chamado Ronaldo Nazário. Sem dar o salto a um grande da Eredivise, Makaay trocou o frio holandês pelo calor das Canárias. Assinou pelo Tenerife, equipa de bom gosto, e confirmou que o seu faro de golo não perdia com o efeito do calor. Duas épocas de luxo que chamaram a atenção do Deportivo la Coruña. O presidente Lendoiro pescou-o antes de outros grandes e levou-o para a chuvosa Galiza onde o holandês fez parte de uma equipa de luxo com Fran, Victor, Valeron, Djalminha, Tristan e Pedro Pauleta no ataque do conjunto azul. Foram quatro anos de eficácia pura. Mais de 80 golos pelo "Depor" e uma estreia auspiciosa com a selecção da Holanda. No seu primeiro fez história ao sagrar-se campeão de Espanha com 22 golos em 36 jogos. Era o homem da moda.

 

Em 2003 o Bayern Munchen, na ressaca da renovação do conjunto campeão europeu de 2001, decidiu apostar forte no mercado. E apostou em Makaay, que no ano anterior tinha apontado um hat-trick em Munique ao serviço do clube espanhol.

O dianteiro abandonou Espanha e mudou-se de armas e bagagens para a Baviera. No Olympiastadion ganhou uma legião de fãs indefectíveis. Partilhou o ataque com Jancker, Santa Cruz, Pizarro e companhia, mas manteve-se sempre entre os titulares nos quatro anos passados em Munique. Os seus golos na Champions permitiram algumas das melhores campanhas do conjunto germânico, incluindo uma memorável reviravolta face ao Real Madrid com o golo mais rápido da prova até então. No seu primeiro ano na Alemanha o avançado venceu a Bota de Ouro, confirmando-o como o melhor avançado da Europa. No entanto os sucessivos técnicos da Holanda, de Rijkaard a van Basten, passando por Louis van Gaal foram preterindo os serviços do dianteiro pela eficácia de van Nistelrooy, Bergkamp ou Kluivert. Mesmo assim Makaay continuou a marcar. Golos de todas as formas e feitios que o leveram a lograr mais de 100 pelo clube bávaro. Quando o clube gastou milhões em Klose e Luca Toni, o holandês percebeu que ia deixar de ser primeira opção. E foi-se embora. No total levava consigo um total de mais de 200 golos marcados em 10 anos de exilio em duas das ligas mais potentes da Europa.

Finda a etapa Alemanha, a paragem seguinte foi Roterdam. O histórico Feyenoord, a viver um periodo de vacas magras, precisa de um substituo do prolifero para Pierre van Hoidjoonk. Chega Makaay e responde como só ele sabe fazer. Em três épocas o primeiro clube holandês a vencer uma Taça dos Campeões Europeus nunca chegou a lutar pelos primeiros postos. Mas o papel do dianteiro foi determinante para evitar males maiores. Até agora, o momento em que o "Fantasma" decide por de lado a sua arma de precisão.

Durante vários anos Roy Makaay esteve na elite dos goleadores europeus. Nunca teve o impacto mediático de outros rivais e acabou sempre por pagar essa falta de carisma. Mas diante das redes raramente falhava. E nos momentos decisivos, dizia presente. Com o seu adeus fecha-se uma escola de goleadores num país carente de "killers" para enfrentar a aventura mundialista que nos espera ao virar da esquina. Mundial que o "Fantasma" nunca conseguiu disputar. A sua própria assombração!



Miguel Lourenço Pereira às 04:38 | link do post | comentar

6 comentários:
De Sir Pereira a 1 de Outubro de 2010 às 23:06
Enorme PL, numa enorme geração de avançados laranja. Com Van Nistelrooy, Van Hooijdonk, Kluivert ou Hasselbaink é dificil jogar na selecção.
Parabéns, grande post!


De Miguel Lourenço Pereira a 4 de Outubro de 2010 às 08:33
Um grande goleador e um jogador de equipa de primeiro nível, mas naquela década ser internacional com a Holanda era algo que se vendia muito caro. Actualmente vive-se a situação inversa com os orange desesperados à procura de um novo killer como Makaay.

um abraço


De Koowijk a 5 de Outubro de 2010 às 14:34
A Holanda tem dois pontas de lança de classe mundial, falo de Klaas Jan Huntelaar e Robin Van Persie, este último tem tido um enorme infortúnio por causa das lesões.

Além dos supra mencionados, tem três grandes projectos de avançados ainda pisando os relvados da Eredivisie. Van Wolfswinkel talvez o mais conceituado, já ligado a vários clubes de nomeada, já é tratado pelo 'fabuloso' ou novo Van Basten, tal é o seu trato de bola. Depois há um jogador mais imponente fisicamente e melhor no jogo aéreo, Bas Dost do Heerenveen, Por fim, o jogador do Twente, Luuk de Jong, irmão do centro campista do Ajax, Siem de Jong, está esta época a confirmar as boas indicações deixadas no final da última época, muito elegante fisicamente e de grandes recursos técnicos. Como pode observar a laranja mecânica não está assim tão mal servida de presente e para o futuro há boas perspectivas também. Há selecções bem mais carenciadas, como a Portuguesa

Um abraço e continuação.


De Miguel Lourenço Pereira a 5 de Outubro de 2010 às 16:12
João,

As três referências que mencionas são, de facto, projectos de excelentes dianteiros. Mas precisam de passar a última etapa de maturação, em jogos longe das tipicas defesas holandesas. São jogadores bons mas sem ritmo de alta competição.

Quanto ao KJH e ao RVP discordo. O segundo não o consigo ver como ponta de lança. É um dandy que funciona bem com alguém ao lado para aproveitar espaços e ressaltos mais do que o homem com quem podes contar para resolver jogos. KJH podia e tinha o perfil desse dianteiro, mas nas 2 equipas de topo onde esteve nunca deu sinal de aguentar o ritmo. E isso é um forte handicap.

Um abraço


De João Koowijk a 5 de Outubro de 2010 às 17:38
Pois bem, parece que temos opiniões divergentes. Quanto ao Van Persie, concordo plenamente, ele começou como extremo puro no Feyenoord, daí despertou o interesse dum Arsenal demolidor, e aí com o passar dos anos foi moldado por Wenger e hoje em dia é como avançado centro como é utilizado, até na própria selecção, o que lhe retira um pouco da sua magia natural. Pois ele tem traços de Bergkamp, uma classe invulgar.

Quanto ao Huntelaar discordo, desde cedo mostrou dotes de grande goleador no Heerenveen e nas selecções jovens holandesas. Chegou a Madrid com fama de matador e como substituto de Van Nistelrooy e verdade seja dita, não as defraudou, olhando para números podemos ver isso mesmo, 11 jogos 9 golos(pondo isto, só se pode concluir que para jogar no Real Madrid tem que se ter uma média de um golo por jogo?)! Porém, depois chegou Florentino e sua politica revolucionar toda uma equipa, dispensando sem qualquer pudor o trio holandês e todos os jogadores contratados pela dupla Carderon Mjatovic. Robben/Sneijder/Huntelaar, substituindo-os por Kaka/Ronaldo/Benzema, resultados? Nenhuns! Este ano foi Van der Vaart, a seguir a Ronaldo e Higuain o elemento mais influente da última época merengue, a receber guia de marcha. Como se diz agora em Espanha, "Ser holandês e sair do Real, rende como a cocacola". Resta falar da sua passagem discreta por Milão, desde cedo foi proscrito por Leonardo, nos poucos jogos que efectuou como titular chegou à marca dos 7 golos. Agora ingressou na Bundesliga, assumiu um papel importante numa equipa em crise, já leva quase tantos golos como jogos. Falta referir o seu registo na selecção, onde tem média de meio golo por jogo. Nada mal. Não dúvido que será um dos destaques da Bundesliga, só tenho pena que o Bayern de Van Gaal não tenha apostado nele e no seu lugar ter um jogador chamado Mário Gomez.

Um abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 6 de Outubro de 2010 às 08:27
João,

Lembro-me de falar com o KJH depois da final do Euro sub21 no Bessa em 2006 e parecia-me um jogador com cabeça para singrar num grande. Em Madrid sofreu à posteriori, efectivamente, a limpeza a que foi sujeita a horda holandesa de Mijatovic/Calderon, mas os golos que marcou no Bernabeu nunca foram transcendentais e o seu estilo de jogo não se adaptava tanto ao que utiliza o RM. No Milan teve algumas oportunidades mas também viu-se rapidamente ultrapassado nas opçoes de Leonardo. Nota-se nele uma dificuldade de integração colectiva que já se adivinhava na própria Holanda na sua etapa com o Ajax.

Tem todas as condições para singrar e pode ser que agora o faça com o S04. Uma boa época europeia e um renascimento na Bundesliga podem dar-lhe uma segunda oportunidade.

abraço


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Miguel Lourenço Pereira

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