Domingo, 6 de Junho de 2010

Estavam condenados a um final triste depois de uma década de grandeza. Rejeitaram a cruz e caminharam de cabeça erguida. Eliminaram todos os favoritos pelo caminho apenas para cair, de pé, frente a uma azzurra com mais sorte do que nunca. Um Mundial surpreendente onde veterania e juventude disputaram um duelo único com um vencedor surpreendente e um vencido ainda mais inesperado.

 

As casas de apostas não enganavam ninguém. Brasil, Argentina, Alemanha, Espanha e Portugal arrancavam como favoritos do regresso do futebol à Alemanha. Não havia sinais de Itália ou França entre o lote de principais candidatos. Uns por serem demasiado imprevisíveis. Outros por estarem reformados. Ou isso diziam. Durante as semanas anteriores à prova o seleccionador Domenech foi acusado de continuar a apostar numa geração já acabada. Zidane tinha anunciado o final da carreira. Vieira, Barthez, Desailly e companhia rapidamente iam segui-lo. Parecia uma triste repetição do Mundial anterior. Mais ainda depois dos secos partidos da fase de grupos. Um apuramento in extremis frente ao estreante Togo e com direito a muito sufrimento. E nenhuma emoção.

A casta de campeão é um fenómeno curioso de que poucos países conseguem presumir. Portugal, por exemplo, voltou a demonstrar que não o tinha, depois de uma cavalgada rumo às meias-finais, eliminando os violentos holandeses num jogo inesquecível e aguentando a Inglaterra até aos penaltys. Um golo marcado nos três jogos a eliminar é pouco. Muito pouco. Tal como holandeses - como sempre deslumbrante no principio e decepcionantes no final - ou ingleses, com o carrasco do costume. Mas há paises que conseguem sempre ir até ao fim. Independentemente do que os espera. Assim se exibiu a Itália. Depois de suar muito na fase de grupo aguentou a Austrália até um golo oportuno nos instantes finais. E superou uma débil Ucrânia na fase seguinte. Para se encontrar com a Alemanha. A mesma de que muitos desconfiavam e que acabou por exibir o melhor futebol do torneio. Dominou (e goleou) na fase de grupo, vergou a Suécia e não teve perdão da Argentina. Nesse duelos de imortais, Del Piero emergiu como herói. E acabou com a única equipa alemã realmente atractiva desde 1974.

 

Do outro lado todos esperavam um duelo entre Brasil e Espanha, dois favoritos máximos para os apostadores.

Só que ambos se cruzaram pelo caminho com a elite dos reformados. E sairam penosamente vergados por uma insultante superioridade gaulesa. No dia do jogo contra a Espanha, o jornal Marca publicou a inesquecível foto do colectivo espanhol com o sugestivo titulo "Estes são os homens que vão reformar Zidane". Esqueceram-se que o futebol é coisa de 90 minutos, 120 se for preciso vá lá, e que Zidane, Ribery e Henry estavam mais do que habituados a fanfarronices. Os gauleses destroçaram a ambiciosa equipa espanhola e apuraram-se com um concludente 3-1. Seguiu-se o Brasil dos Ronaldos, e com ele o melhor jogo do torneio. A França repetiu o feito de oito anos antes, neutralizou o jogo brasileiro, e venceu por 1-0. De uma acentada estavam de fora dois favoritos. Faltava o terceiro. De penalty Zidane tratou de bater uma selecção portuguesa que nunca soube ser eficaz. Nem Figo, nem Pauleta, nem Cristiano Ronaldo conseguiram desfeitiar Barthez. O massacre alargou-se pelo tempo mas, na hora H, a equipa dos reformados, a equipa dos acabados, era a equipa finalista. E subitamente, eram favoritos.

Um presente envenenado entregue pela Azzurra de Lippi. O golo inaugural de Zidane na final parecia ser o final perfeito para um conto de fadas. Mas existe Materazzi. O destruidor italiano por excelência, prototipo do anti-jogador, marcou o golo do empate e depois provocou habilmente o temperamento facilmente irritável do francês careca que destroçou o final perfeito de uma carreira de altos e baixos. Doze anos depois a final foi decidida no duelo dentro da grande área. Onde a Squadra Azzurra nunca teve muita sorte. Até essa noite fresca de Berlim.

 

Há quatro anos atrás o Mundo vibrou com um torneio repleto de cartões e escassez de golos. Um torneio onde os melhores de hoje já por lá passeavam, com maior ou menor destaque. Cristiano Ronaldo, Messi, Kaká, Xavi, Ribery, Robben, Rooney, Sneijder, Torres, Villa, Tevez, Pirlo, Drogba, Park Ji Sung, Cahill, Donovan, Castillo e companhia. Os mesmos por quem o Mundo suspira agora. Agora já não vale a pena olhar para trás...o tempo escasseia. A bola vai começar a rolar! 



Miguel Lourenço Pereira às 03:55 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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