Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Mais uma vez o parente pobre das provas da UEFA volta a vestir roupa nova e surgir com novo visual. A partir do próximo ano deixa de existir Taça UEFA para nascer a pomposa Liga Europa. Os mais novos pensarão que a mudança estabelecida pela UEFA é radical, mas a verdade é que há poucas provas que ao longo dos anos tenham sofrido tantas alterações como passou com esta competição que se chamará Europa mas que começou por ser apenas das Cidades com Feiras. 

 Em resposta ao nascimento em 1955 da Taça dos Clubes Campeões Europeus (ideada pelo jornalista do L´Equipe, o francês Gabriel Hanot) um conjunto de dirigentes europeus decidiram criar uma competição para as equipas que não se tivessem sagrado campeões nas suas respectivas provas nacionais. Apelidaram o troféu como Taça das Cidades com Feira, e as primeiras edições funcionaram apenas por convite. Após a terceira edição chegou-se a acordo com as ligas nacionais de forma a incluir os segundos e terceiros classificados dos diferentes países. Por essa altura a competição era dominada pelos clubes espanhóis, ofuscados pelo Real Madrid, que venceram as primeiras edições. A originalidade da competição levou mesmo a que uma das finais fosse disputada por uma equipa composta pelas melhores jogadores a actuar nos distintos conjuntos londrinos. O London XI perdeu com o Barcelona e foi caso único de uma cidade que se uniu para disputar uma prova europeia. Com o virar da década os ingleses começaram a bater com o pé aos clubes espanhóis e o crescente sucesso da competição – especialmente após o nascimento da Taça das Taças – levou a UEFA a dar a mão à palmatória. A organização tinha rejeitado o troféu por considerar que estava fora da sua esfera de influência mas em 1971 aceitou oficializar a competição que se passou a chamar Taça UEFA. Fechava-se um ciclo e arrancava outro.

 

A partir dessa data as finais a duas mãos – disputadas nas quartas-feiras entre a Taça das Taças e Taça dos Campeões – passaram a ser a marca da casa. Era o período áureo do futebol britânico e alemão. O Tottenham venceu o primeiro troféu na edição de 71 e voltaria a repetir uma década depois o triunfo. Em 1980 houve a primeira participação de uma equipa portuguesa na final. O SL Benfica defrontou o Anderlecth belga mas acabou por perder no conjunto dos dois jogos pela diferença de golos marcados fora de casa. Uma derrota amarga na primeira de três finais disputadas pelos três grandes. Teríamos de esperar 23 anos pela segunda.

Nos anos 80 a prova certificou internacionalmente a Quinta del Buitre, lançou para o estrelato clubes menos habituados a vencer provas europeias e viveu de novo duelos entre clubes do mesmo país. Por essa altura já nascera o sempre polémico ranking da UEFA que determinava que as grandes ligas enviavam mais clubes que outras ligas. Com o nascimento da Champions League a prova voltou a levar um rude golpe. A principal competição da UEFA passou a congregar mais clubes de um mesmo país (primeiro 2, logo a fórmula que se estendeu até 4 para as três primeiras ligas) o que tirou alguns clubes de renome da Taça UEFA. A prova passou a ser mais acessível a clubes com ambições menores e funcionou como o lançamento de novas potências futebolísticas. Criou-se a Taça Intertoto – uma espécie de pré-eliminatória – para receber clubes que ficaram de fora dos lugares de participação nas provas nacionais e deixou-se o modelo de dois jogos por final para se disputar o título a partido único. Em constante mutação a competição voltou a sofrer um forte golpe com o final da prova irmã, a Taça das Taças.

 

 Quando a UEFA determinou o final da prova dedicada aos vencedores das Taças nacionais, a Taça UEFA recebeu de golpe todos os vencedores europeus das taças nacionais. Entre os eliminados das pré-eliminatórias e fase de grupos da Champions League e os apurados da Taça Intertoto, começava a ser demasiado complexo manter uma estrutura sólida com base na prova a eliminar. A federação europeia de futebol decidiu então incluir também aqui uma fase de grupos que filtrasse as equipas para uma etapa final a eliminar, em tudo igual á Champions League mas com mais equipas em disputa. Nasceu assim a última transformação de uma prova que era, cada vez mais, o pouso perfeito para os eliminados da fase de grupos da Champions do que propriamente dos clubes que entravam na competição de forma directa.

 

A Taça UEFA cresceu em popularidade e receitas mas mesmo assim ainda era pouco atractiva comparada com os milhões da Champions League. Por essa altura já Portugal tinha levantado pela primeira vez a Taça (em Sevilla o FC Porto venceria com o polémico golo de prata por 3-2 o Celtic) e o Sporting perdido em casa diante do CSKA a primeira final única disputada em Portugal da prova (e terceira, após a do Jamor de 1967 e da Luz em 1991). A nível de clubes, turcos, russos e holandeses mostravam que eram as novas potências da competição, apenas interrompidos pela armada espanhola de Valência e Sevilla.

 

A vitória do Zenith, no ano transacto, foi a última antes de se conhecerem as mudanças de futuro. Quando arrancou a edição 2008/2009 já se saberia que a final de Istambul marcaria o final de uma era. O vencedor do jogo de hoje será o último a ganhar a Taça UEFA. A Liga Europa no próximo ano recebe a herança da velha prova que já mudou tantas vezes de nome como de formato, mas o ideal manter-se-á o mesmo. E o vencedor continuará a ficar como parte da história.



Miguel Lourenço Pereira às 00:37 | link do post | comentar

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