Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

"O meu som favorito é o de ouvir o osso a estalar". Frases como esta definiram o verdadeiro bad-boy do futebol inglês. Durante dez anos não houve um jogador tão duro, mal-intencionado e violento sobre os relvados de um futebol em mutação. Hoje Vinnie Jones é o espelho de um estilo de jogo que começa a entrar em extinção mas que ainda tem suficientes adeptos para fazerem dele uma estrela.

Não é só que tenha o recorde mais rápido de uma expulsão do futebol britânico. É que soube melhorar o seu inigualável registo duas semanas depois de ter sido amarelado aos sete segundos. E tudo pelo puro prazer de provocar. Assim é, assim sempre foi Vinnie Jones. Hoje estrela pop underground, actor de filmes de acção, inspirador de heróis de BD e personagem por direito próprio de vários videos do You Tube. Na década de 80, o pesadelo do futebol inglês.

Galês de nascimento, de origem cigana, começou a jogar futebol profissional com 19 anos no modesto clube local Wealdstone. O seu estilo fisico e altamente competitivo chamou a atenção de um conjunto sueco, o Holmsund, que o contratou de imediato. Depois de um ano, onde se sagrou campeão da segunda liga sueca, as suas exibições começaram a chamar a atenção de clubes da First Division. Foi o modesto Wimbledon, conjunto dos subúrbios de Londres, quem avançou para a sua contratação. Nem imaginavam que por 10 mil libras tinham acabado de contratar um dos icones do clube para o resto da sua história. Jones estreou-se em 1986 e rapidamente conquistou os adeptos. Violento como poucos, a sua especialidade era de cortar qualquer lance de ataque quando ainda estava na imaginação do rival. Formou parte do Crazy Gang, junto com o jovem Dennis Wise, o irreverente John Fashanu e Lawrie Sanchez. Em dois anos formou a equipa tornou-se num icone do futebol duro, que já começava a cair em desuso num país ainda assustado com os efeitos de Heysel e Hillsborough. A vitória histórica sobre o Liverpool na FA Cup de 1988 confirmou a popularidade de Jones. No ano seguinte os adeptos desesperaram com a venda Jones ao Leeds. Em Yorkshire, Jones fez escola com o seu futebol duro. Mas os problemas perseguiam-no e depois de dois anos onde andou pelo Sheffield Utd e Chelsea, o central, então já capitão da selecção de Gales, voltou ao seu Wimbledon.

 

Foi nesse regresso que o seu perfil de bad-boy ganhou outra dimensão.

Tráfico de drogas, alcool, mulheres, acidentes de carro, agressões a colegas e rivais. Expulsões aos 3 segundos por entradas violentas. Tudo isso passou a fazer parte do seu catálogo. Durante seis anos era o rosto do futebol que a Inglaterra queria esquecer. Apesar do seu estilo de jogo ter permanecido em figuras como Wise, Batty ou Keane, o simbolo do que representava tornou-se odiado pelo establishment da Premier League. Provocou uma lesão que destroçou a carreira de Gary Stevens, notoriamente trocou "mimos" com Paul Gascoine e acabou por ser finalmente suspenso pela FA durante meio ano por apresentar o polémico video Soccer´s Hard Men, onde recopilava algumas das entradas mais violentas do futebol inglês. Era suficiente. Mas à medida que a sua carreira desportiva ia caindo, a sua fama no meio underground londrino crescia. Jones era uma estrela sem o saber e quando o cineasta Guy Ritchie o chamou para o seu primeiro filme, Lock and Stock, abriu ao central as portas de Hollywood.

O seu perfil de duro voltou a ver-se em várias produções, desde o seguinte trabalho de Ritchie, Snatch, a várias produções norte-americanas como She´s the Man, Gone in 60 Seconds, Swordfish, Mean Machine ou X-Men. Pelo meio vários anuncios, muitos programas de televisão e livros polémicos pelo meio. Um denominador comum: o lado mais violento do intratável central.

Hoje Vinnie Jones continua a ser uma das figuras de culto para a juventude suburbana inglesa apesar da maioria já nem se lembrar de ter visto as suas entradas violentas no terreno de jogo. A viver há anos em Los Angeles, a sua figura continua a pairar sobre o futebol britânico sempre que uma entrada violenta rasga a rotina de um futebol que aprendeu a controlar-se. Depois de 386 jogos oficiais, 33 golos e 12 vermelhos, o seu cadastro é tão impactante dentro e fora das esquadras policiais. Mas o seu nome não deixa ninguém indiferente. Ainda hoje ele é o "Duro" por excelência. 



Miguel Lourenço Pereira às 10:13 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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