Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

Hoje partilha o feito com outro nome mágico da história do futebol, Lothar Mathaus. Mas durante largas décadas o mexicano Antiono Felix Carbajal fez história ao marcar presença em nada menos do que cinco Mundiais. Cinco aventuras com o mesmo triste final. E que não lhe permitiram despedir-se diante dos seus.

La Tota é história viva do futebol mundial.

Hoje, com 80 anos, ainda vive tranquilo na Cidade do México e espera um novo Mundial. Ele, mais do que ninguém, sabe o emocionante que é uma aventura mundialistica. Afinal ele foi o primeiro jogador a disputar uma mão cheia de edições. Um feito que, durante 32 anos se manteve inigualável. Até que o alemão Mathaus disputou em França a sua quinta prova. E quebrou uma das hegemonias mais originais da história dos Mundiais. Uma aventura que começou no inesquecível Mundial de 1950 no quente Brasil e acabou em terras de sua Majestade, dezasseis anos depois. Do Maracana ao Wembley. Sempre sob o triste signo da derrota.

Carbajal nasceu na Cidade do México a 7 de Junho de 1929. O mundo estava prestes a entrar num pesadelo mas na capital azteca ainda não havia noticias dos problemas de futuro. Durante dezanove anos Carbajal foi mais um rapaz de bairro, jogando na rua com os amigos, frequentando a escola até completar o ensino obrigatório e procurando fazer da sua paixão um oficio. A sua afirmação definitiva ocorreu em 1948 quando foi escalado para viajar até Londres com a seleção olimpica de futebol do México. Precisamente onde terminaria a sua aventura, Carbajal mostrou-se ao mundo. Os mexicanos não foram propriamente a maior sensação do torneio mas dois anos depois voltaram a marcar presença entre a elite, no seu primeiro Mundial. Que também foi o primeiro da aventura de La Tota.

 

No Brasil 1950 o guardião do Real Club España teve uma performance para esquecer. O conjunto azteca estreou-se a 24 de Junho com uma derrota por goleada (4-0), diante do favorito Brasil. Até ao final da performance no torneio o guardião sofreria mais seis golos (quatro da Jugoslávia e dois do México). E, sina sua, o México ficaria em último na primeira fase. Em terras brasileiras Carbajal começou também um recorde que preferia esquecer: o de guarda-redes com mais golos sofridos na história do torneio. No total acabariam por ser 32.

Quatro anos depois, já consagrado como o grande guardião centro-americano, Carbajal voltou com a sua selecção à liça. Na Suiça era já o capitão de equipa, tinha-se mudado para o Club León, onde ficaria até ao final da carreira e pelo qual seria bicampeão do México, mas o destino acabou por ser o mesmo. O México jogou contra Brasil e França e saiu vergado de ambos os jogos com oito golos sofridos e apenas dois marcados. O mais triste da carreira de Carbajal seria apontado por Raimond Kopa, que aos 89 minutos do duelo decisivo entre franceses e mexicanos disparou para as redes do número 1 sem que este pudesse deter o remate. Um tento que significou o apuramento dos gauleses e o regresso a casa, uma vez mais, cedo dos mexicanos. Quatro anos depois, na Suécia, o primeiro motivo de festejo. Após o correctivo inicial frente aos anfitriões, o México logrou o seu primeiro empate na história do torneio num duelo contra Gales com um golo no último minuto. No desafio final voltou a sonhar-se com o apuramento. Pura ilusão. Quatro golos sem resposta da Hungria ditaram mais uma eliminação. E eram já 26 golos sofridos em três mundiais.

 

Chegado aos anos 60 Antonio Carbajal já era um icone do futebol mexicano.

Com 33 anos chegou ao Chile como uma estrela. A sua rivalidade com Lev Yashin era um dos pratos fortes da primeira fase do certame. Mas quando muitos esperavam que a hora dos mexicanos tinha chegado, depois de ter estado perto do apuramento por duas vezes, uma nova desilusão tomou conta das hostes. Após a derrota inicial com o Brasil (onde Pelé marcou o seu único golo do torneio), o México caiu diante da Espanha no último segundo de jogo alargando uma maldição que parecia não ter fim. Peiró cabeceou e Carbajal não chegou. Apesar do afastamento o México provou que era uma equipa diferente ao bater por 3-1 a Checoslováquia, equipa que, curiosamente, chegaria à final com o Brasil. Depois de ter passado dois anos de calvário com lesões, Carbajal surpreendeu tudo e todos a recuperar a tempo para viajar até Londres. Antes do torneio começar o guarda-redes mexicano confirmou que esse seria o seu último Mundial. Um recorde de longevidade que não passou desapercebido num país que valoriza como poucos a história do jogo. Foi tratado como uma estrela. No empate a 1 com a França mostrou umas mãos prodigiosas. Mas acabou por sofrer o seu 30 golo em Mundiais, um feito que superaria frente à Inglaterra, que venceria os mexicanos por 2-0. No encontro em Wembley os adeptos locais aplaudiram o mexicano no final dos 90 minutos. O jogo final, frente ao Uruguai, seria o último. 14 jogos e 32 golos depois, era o final de uma longa aventura. La Tota passou então a ser conhecido, simplesmente, como "El Cinco Copas".

Carbajal terminou a carreira dois anos depois, com 39 anos de idade e 20 de carreira. Pela selecção sumou 48 jogos oficiais. 

O seu grande desgosto foi não ter aguentado até 1970. No Mundial disputado diante dos seus adeptos o México fez história e finalmente passou da primeira-fase. Alguns comentaram que era o veterano guardião quem tinha estado a trazer azar ao exército azteca. Verdade ou não, depois da sua saída o conjunto mexicano tornou-se um candidato habitual a passar à fase seguinte, tendo chegado por uma vez (2002) até aos Quartos de Final. E Carbajal seria o pai de uma longa escola de guardiões excêntricos que o México daria a conhecer ao Mundo. Apesar de já não ser o único na lista, o seu feito continua a ser especial e a própria FIFA confirmou-o como um dos 100 Jogadores do Século XX. Afinal, La Tota é pura história viva do jogo.



Miguel Lourenço Pereira às 09:09 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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