Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

Poucas equipas exerceram uma hegemonia desportiva durante a última década como o Olympique de Lyon. Chegou ao ano 2000 sem titulos na bagagem. No final da década tinham sete ligas consecutivas, varias Taças e uma maldição que lhes atravessava a garganta. Agora que parece que o seu reinado no hexagono terminou, a maldição chegou ao fim. O sonho europeu está ao virar da esquina.

 

Futebolisticamente há poucas formações como o Girondins Bordeaux de Laurent Blanc.

Trata-se de uma equipa extremamente ofensiva, repleta de jovens e grandes jogadores. Quebrou o dominio de sete anos do Lyon de forma categórica e este ano já demonstrou ter todas as condições para revalidar o ceptro. E mais, na sua primeira época a sério na Europa, depois de uma breve experiência, provou ser a equipa mais fiável e competitiva daquelas que vinham da Ligue 1. E no entanto, quando sairam derrotados por 3-1 do Gerland em Lyon, poucos acreditavam que pudessem seguir em frente. Não por serem piores. Mas porque estava no ar que a longa maldição dos Gonnes tinha chegado ao fim. E assim foi.

O Lyon, ex-rei de França, nunca tinha superado os Quartos de Final da Champions League. Caira aos pés de FC Porto, Manchester United ou Barcelona em edições prévias. Pela sua equipa passaram jogadores que marcaram a década como Juninho Pernambucano, Benzema, Diarra, Essien, Fred, Tiago ou Coupet. E nenhum deles conseguiu o que este geração regenerada logrou. Estar na penultima fase da prova é um sonho antigo. Um sonho que, durante muitos anos, se temeu ser impossível. Quanto o sorteio ditou o confronto entre R. Madrid e Lyon nos Oitavos de Final parecia que a maldição se mantinha. Mas afinal foi outra malapata, a dos espanhois, que prevaleceu. A inteligencia de Claude Puel eliminou os milhões de Perez. E o sorteio escancarou as portas de um regresso a Madrid.

 

Nos dois jogos contra o Bordeux o Lyon não foi superior. Mas também nunca foi inferior ao conjunto gascão. Venceu graças a detalhes. Fundamentais. E à sorte. A mesma que sempre lhe escapou. A sorte de ter nas redes um imenso Hugo Lloris, chamado a marcar uma geração em França. O guardião - determinante frente ao Liverpool e ao Real Madrid - foi magistral na noite fria de Bordeaux. O golo de Chamkah no minuto 43 deixava tudo em suspenso. Um tento mais e era o atractivo Bordeaux que seguia em frente. E eles bem que tentaram. Mas Lloris parou tudo. Nem o marroquino, nem o genial Gourcouff, nem a constelação de médio experientes ao serviço de Blanc. Nenhum deles logrou romper as redes.

Do outro lado a táctica e a rigidez fisica do conjunto lionês voltou a fazer a diferença. Gomis, imenso, galgou kilómetros. Bastos também. Sem Lisandro, suspenso, e com o hábil Pjanic no banco, a ordem era conter. Aguentar fileiras. E sofrer. Muito.

Nesse capitulo este Lyon mostrou estar muita acima dos seus antecessores. Eram equipas que manejavam melhor a bola. Mais espectaculares. Mas menos práticas. E hábeis no controlo do tempo de jogo. O Lyon ontem soube parar e acelarar o ritmo a seu belo prazer. E aguentar as cargas rivais com uma estoicidade que já se tinha visto no desigual duelo de Madrid. Se o bom futebol ficou a cargo do Bordeux, a inteligência dormiu ao lado do Ródano. E isso fez toda a diferença. Jean-Michel Aulas pode finalmente dormir tranquilo. A sua equipa ultrapassou a velha malapata.

 

Agora contra uma equipa do seu nível, o Olympique de Lyon sabe que pode sonhar em emular os feitos de AS Monaco e Olympique Marseille, as últimas equipas francesas a marcar presença numa final da Champions League. Os gauleses contam com um técnico preparado para as artimanhas tácticas de Louis van Gaal e tem à sua disposição um grupo de legionários que sabe que já fez história. Curiosamente, o último ano em que as meias-finais colocaram frente a frente equipas de quatro países, uma formação francesa chegou à final. Pequenas curiosidades que podem servir de motivação extra para uma equipa que finalmente deixou de ser maldita. 



Miguel Lourenço Pereira às 17:01 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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