Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

anos destinados a marcar a história. Este é um deles. Pela primeira vez desde 2003 não há nenhum conjunto britânico nas meias-finais da prova rainha do futebol europeu. O império da Premier que marcou a primeira década do novo século abre passo a uma nova ordem. Quatro equipas, quatro países. O regresso às origens, a eterna desilusão dos vencidos.

2004 Chelsea. 2005 Liverpool, Chelsea. 2006 Arsenal. 2007 Liverpool, Chelsea, Man Utd. 2008 Man Utd, Chelsea, Liverpool. 2009 Man Utd, Arsenal, Chelsea. 2010....end of story.

É assim que se escreve a Champions League dos últimos seis anos. Com muitas, muitas esperanças inglesas. Desse periodo histórico, apenas comparado ao sucesso conseguido entre 1976 e 1985, resultaram dois campeões europeus (Liverpool e Man Utd), mais quatro finalistas vencidos e uma final totalmente britânica na fria Moscovo. Quase nada. A supremacia financeira e desportiva da Premier e a emergência do que se convencionou chamar de Big Four definiu o futebol europeu de hoje. Até agora. Pela primeira vez desde que o futebol italiano se impôs em 2003 (com três equipas nas meias-finais) que não há ingleses à porta da grande final de Madrid. Liverpool caído na fase de grupos contra todas as expectativas. Chelsea batido pelo experiente e sábio Mourinho. Arsenal esmagado pelo futebol total de Guardiola. E agora o inesperado. Manchester United, o colosso europeu por excelência, que quebra assim um passado recente brilhante de três meias-finais consecutivas. Por culpa própria. Aliás, por culpa própria foram caindo, um por um, os soldados ingleses. Até não ficar nenhum no campo de batalha.

Ontem em Old Trafford assistiu-se a outro mágico desenlace, desses que ficam para a história mais do que o resultado pode deixar antever. Um jogo que marca tendnência.

O Man Utd fez 43 minutos absolutamente brilhante. O eterno conservador Alex Ferguson esqueceu-se de trinta anos de medos e receios e lançou em campo um onze assustadoramente ofensivo. Perante uma equipa que em nada lhe era inferior e cuja a vantagem na eliminatória era bem mais favorável do que parecia à primeira vista. Com Rafael a defesa direito, Gibson a encher o meio campo e Nani e Valencia abertos nas alas, o United foi um turbilhão. Rooney, que forçou a recuperação para estar no jogo decisivo, começou de inicio. Foi como se nunca lá tivesse estado. A estratégia funcionou durante esses 43 minutos. Um golo a abrir de Gibson, uma obra prima de Nani e um remate espantoso do portugês, depois de mais um bom lance no flanco direito, pareciam relembrar outros tempos no Teatro dos Sonhos. Mas a festa acabou mais cedo. Carrick, trapalhão ontem como nunca, lá se deixou bater por Olic. Um golo mais do que inoportuno. Ao intervalo Ferguson podia ter ganho a eliminatória com duas substituições. Não fez nenhuma. Perdeu tudo. Rooney ficou em campo em figura de corpo presente. E Rafael, que tinha estado a bom nível mas que já tinha um amarelo, auto expulsou-se com um estúpid amarelo tão inocente como o seu rosto de menino. Por uma vez, arriscar tinha saído mal. Com 10 o United sentiu o peso da oleada máquina ofensiva do Bayern. Os ataques sucederam-se, os contra-ataques dos Red Devils escassearam. van Gaal, como sempre, foi inteligente a ler o jogo. Forçou o ataque, reforçou o meio-campo. Esperou. Uma genialidade de Robben, outro maldito de Madrid que prova o quão errada foi a politica de vendas do clube espanhol, reduziu para o fatìdico 3-2. O Manchester vencia. Mas perdia a esperança. Já não restavam forças para lutar, animo para seguir em frente. A história voltou-se a cumprir frente ao clube maldito. O clube que só caiu uma vez aos seus pés. E o sonho da quarta Champions adiado, injustamente, uma vez mais.

 

O erro do Manchester United esteve em não ter procurado o 0-2 em Munique mais do que na exibição de ontem.

E a juventude de Rafael, imaturo num jogo onde se pedia calma, deitou tudo a perder. Para o ano a equipa estará de novo na elite, é certo. Mas ao ver-se superado pelo rival alemão, num ano em que tudo lhe parecia favorável para recuperar o titulo perdido, fica a sensação de que este Man Utd perdeu, sem a acutilância de Cristiano Ronaldo, esse carisma europeu que o português ajudou em 2007 a resgatar depois de um largo vazio que se sucedeu ao titulo de 1999. Ferguson terá de pensar bem. A derrota frente ao Chelsea pode ter hipotecado o Tetra. Os erros de cálculo frente ao Bayern, custaram a Europa. E a falta de profundidade no banco, onde só havia o desapontante Berbatov e os veteranissimos Scholes e Giggs,  impediram-no de reagir de outra forma à expulsão do lateral brasileiro. Ferguson é uma velha raposa que sabe emendar os erros. Mas a sua queda este ano, mais do que simbólica, é sintomática do estado actual do futebol inglês. Muitas dividas, muitas incertezas, muitas dúvidas. O Big Four é um conceito ultrapassado, mais do que nunca. Tottenham, Aston Villa e Manchester City consolidam-se como alternativas. O Liverpool continua a cair, desportivamente, depois de uma aparente ressurreição que acabou mais por ser fogo de vista. E o Arsenal, sem dinheiro para investir, tem de contentar-se com lamber as feridas de uma derrota previsivel. Os onzes repletos de estrelas foram-se esvaziando entre jovens promessas e veteranos em fim de ciclo. Sairam os Henry, Ronaldos, Robbens e este Verão poderá dar-se o mesmo com os poucos que restam...Fabregas, Torres e companhia. 

Essa mutação desportiva é evidente mais do que nunca na juventude do onze apresentado ontem pelo vice-campeão europeu. Com a sua estrela em deficiente forma, não havia quem pegasse na equipa.  Faltava um golpe de efeito. Golpe que o dinheiro investido permitiu ter ao clube de Munique. O hábil Robben, o vertical Ribery, o omnipresente Gomez e o cerebral van Bommell montaram a teia de aranha perfeita. Agora até à final, é só um pequeno passo. 



Miguel Lourenço Pereira às 10:02 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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