Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

Na cidade da Europa onde mais se respira futebol ontem pudemos entender que há algo no verde tapete que atrai os mais assombrosos magos do futebol europeu em noites de Quarta-Feira. O maior espectáculo desportivo do ano colocou frente a frente as duas equipas europeias que melhor interpretam o beautiful game. O resultado? Ninguém acreditaria.

Quem tivesse saído do Emirates Stadium ao intervalo perguntar-se-ia que brisa de sorte brindava a equipa gunner. Os mesmos teriam dúvidas 45 minutos depois sobre quem teria sido realmente o onze mais afortunado. O embate de gigantes destes Quartos da Champions League deixou para a história o melhor jogo do ano. O mais vibrante. O mais entusiasmante. O mais puro. Lado a lado os dois técnicos que melhor sabem tratar a bola, os espaços, o tempo de jogo. E duas equipas que seguem á linha as indicações dos seus generais. Parecia que o vencedor seria quem mais tempo tivesse a bola. A filosofia de base de blaugranas e londrinos. Mas não. O futebol é mais do que isso e o resultado final provou-o. Se o Barcelona foi dono e senhor da bola, o Arsenal foi dono e senhor do ritmo. Duas partes antagónicas como as duas formações que subiram ao relvado. Se ao intervalo o Barcelona poderia ter saído a vencer por 0-4, não surpreenderia ninguém que no final dos 90 minutos o jogo tivesse acabado com uma dezena de golos. Mas não, foram apenas quatro. Como se isso importasse. Guardiola ganhou o primeiro round. Wenger venceu o segundo. No final, puro empate técnico.

O Barcelona entrou melhor. Controlou a bola. Pautou o ritmo. Cercou o espaço ofensivo do Arsenal e empurrou-o para a sua grande área. E rematou. Rematou muito. Por seis vezes Manuel Almunia salvou os gunners de sofrer o primeiro golo. Xavi, Pedro, Messi, Busquets e claro, Ibrahimovic, foram desafiando o espanhol que se manteve imbatido por 45 minutos. A lesão inoportuna de Arshavin bem cedo mudou os planos de Wenger. Habituado a jogar em 4-3-3, o jogo obrigou-o a abdicar de atacar. Só por duas ocasiões teve o Arsenal perto de marcar. Em ambas exibiu-se, uma vez mais, o grande Victor Valdés, um dos heróis deste conjunto. E se os catalães só se podiam culpar a si próprios depois de exibirem o seu melhor futebol do ano, mas sem eficácia, eis que chegaram os golos. Almunia colaborou no primeiro adiantando-se demasiado e permitindo o oportunismo de Zlatan Ibrahimovic. Minutos depois o génio, outra vez, de Xavi Hernandez voltou a descobrir o sueco. Desta feita sem contemplações. 0-2, um resultado que então era justo. Mas perigoso. Porque se Guardiola é um génio, Wenger não lhe fica propriamente atrás.

O francês leu o jogo de forma soberba e percebeu onde podia atacar o Barcelona. Pelas laterais e em velocidade. Lançou o supersónico Theo Walcott que só precisou de quatro minutos para romper as redes de Valdés. O jogo tinha mudado, o Barcelona perdeu a bola e o espaço. O desaparecido Messi ficou em campo e saiu Zlatan. Uma mudança que deu a Henry o aplauso merecido e nada mais. O Barcelona com este lance perdeu a linha ofensiva e o Arsenal subiu no terreno de forma imediata passando a jogar no campo do rival. Poderia ter dado a volta ao marcador por várias vezes mas Pique e Puyol estavam sublimes. Até que mais uma arrancada pela direita de Walcott levantou a bola para a cabeça de Bendtner. O dinamarques, espertissimo, assistiu Fabregas que se preparava para fuzilar Valdés quando prende a perna em Puyol. Penalty pelo toque de ombro do capitão. Vermelho e o momento do jogo. Fabregas marca mas lesiona-se. Sem poder ser substituido fica no relvado a sofrer. E o conjunto gunner perde o seu pensador. E o jogo adormece lentamente até ao suspiro final.

Sem Pique e Puyol para a volta, Guardiola tem um grave problema. Mas não menor que Wenger que não contará com Arshavin, mas também não poderá alinhar Gallas e Fabregas que podem estar de fora até Maio. Resultado de uma batalha inesquecível no tapete londrino que relembram ao mais comum dos mortais que a bola no pé, o espaço de campo aberto e o ritmo cardíaco ao máximo são os únicos condimentos realmente necessários para demonstrar que o futebol é mesmo o maior espectáculo á face da terra.



Miguel Lourenço Pereira às 15:44 | link do post | comentar

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