Quinta-feira, 11 de Março de 2010

Não é por acaso que a Premier League se mantém no topo há mais de uma década. O ritmo vibrante e a mentalidade das equipas ingleses está um degrau acima das rivais continentais. Podem não vencer sempre. Mas a entrega e dinamica de jogo dos conjuntos britânicos é insuperável. E entre eles, não há ainda ninguém capaz de vestir tão bem o traje perfeito de corte inglês que os Red Devils. O repasso de ontem ao AC Milan foi apenas mais uma prova da natural superioridade da Old Albion.

Ao contrário da goleada histórica do Arsenal - uma equipa pouco britânica e com algumas debilidades competitivas - ontem o resultado em Old Trafford chegou a ser enganador. Durante a primeira meia-hora o AC Milan jogou de igual para igual com o conjunto da casa. Criou ocasiões e tentou aproveitar a debilidade do United no flanco direito onde o veterano Gary Neville voltava à titularidade após a lesão de Wes Brown. Mas a instrução de Ferguson de marcar homem a homem Andrea Pirlo foi anulando a fonte do jogo milanista. E desequilibrou a contenda. O Man Utd começou a controlar o jogo a meio-campo graças à labor constante de Fletcher, Scholes e Park Ji Sung e abriu espaços. Depois só faltou Wayne Rooney. E a estrela da época voltou a dizer presente. Tinha estado em dúvida até à hora do jogo. Mas logo aos três minutos já o avançado tinha disparado a Abiatti. O guardião parou a bala mas acabaria por revelar-se presa fácil para Rooney. Primeiro de um movimento de cabeça letal, no meio dos centrais italianos, após cruzamento de Neville. E no reatar do encontro dando um toque subtil a um perfeito cruzamente de trivela do português Nani. O jogo estava ganho, a eliminatória morta. Outra equipa teria abrandado e baixado os braços. Poupado forças. Mas não uma equipa inglesa. Não quando lhes está no ADN a fome de golo. E assim foi.

Neville já tinha aprendido a domar o mais dócil Ronaldinho e nem a tentativa de Leonardo de lançar sangue fresco pela direita na forma do esforçado Abate beliscava a um autoritário Manchester. Pirlo tinha sido domado pelo coreano Park que ainda teve tempo, num gesto de raça tipica nele, de aproveitar um passe genial de Paul Scholes para ampliar a vantagem. O golpe de misericórdia levantou o estádio ao delirio que nem temeu a entrada, aplaudida em pé, do antigo enfant terrible David Beckham. O extremo foi ovacionado e ainda mostrou destelhos do que foi, em tempos. Um remate espantoso e um centro oportuno que Inzaghi não soube pentear. Mais do que Ronaldinho, Borriello e Huntelaar em toda a primeira hora de jogo. O Manchester estava cómodo no centro e atrevido nas alas, com Nani e Valencia em destaque. Rooney já tinha saído e o bulgaro Berbatov deixava os centrais escalados por Leonardo em constante alerta. Mas foi Fletcher, o incansável operário de que Ferguson raramente prescinde, quem culminou a histórica goleada. Um golo oportuno, tipicamente britânico, que acabou com uma longa malapata de 50 anos. Finalmente os rossoneri caiam em Old Trafford. E estrepitosamente. Está claro que, hoje por hoje, a equipa italiana está a anos luz do pelotão da frente onde o United tem lugar cativo. O plantel envelhecido que Berlusconi continua a sufragar esforça-se, mas nem sempre o esforço é suficiente. Percebeu-se que a falta de ideias abunda nas novas incorporações e que ao lançar Seedorf, Beckham e Inzaghi (o médio Gattuso ainda ficou no banco), Leonardo rendeu-se à evidência de que só pode contar com os mais veteranos. O que é pouco dizer.

O traje de finalista acenta bem ao Manchester United. Pode cometer a proeza - de que não há memória desde os dias do Bayern Munchen de Franz Beckhambauer - de marcar presença na sua terceira final consecutiva. Depende do sorteio e da sorte, das lesões e também dos rivais. Mas a matéria-prima de campeão continua a estar bem viva em Old Trafford. Apesar da saída de Cristiano Ronaldo, o ADN do Man Utd continua a ser o de uma equipa ganhadora. Não se espantem que sir Alex Ferguson desfrute, pela primeira vez, de uma viagem a Madrid. Merece-o.



Miguel Lourenço Pereira às 08:45 | link do post | comentar

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