Sexta-feira, 12 de Março de 2010

A sair do mais frio Inverno das últimas décadas, a Rússia prepara-se para assistir ao arranque da nova época futebolistica. Mas ao contrário dos últimos quatro anos, o ambiente não está envolvido no optimismo que transformou a liga russa numa das potências do futebol europeu. A crise económica deixou a liga dos rublos com graves problemas que nem os milionários conseguem tapar. Será que a corrida da Liga Russa tem estofo de maratona ou acabará por se tornar num curto sprint?

 

Há cinco anos atrás a Rússia começava a erguer-se de novo como uma potência mundial. Os milionários do gás e do petróleo espantavam o mundo com as suas extravagâncias, particularmente tendo em conta que a maioria da popualção ainda vivia em condições bastante precárias. A "Nova Rússia" de Vladimir Putin dava provas de vitalidade económica e politica. Não faltou muito para que o clima de optimismo chegasse também ao mundo do desporto. Por essa altura já Roman Abramovich era uma celebridade em Londres e Putin, hábil como sempre nas manobras de bastidores, sabia que havia várias personalidades, como o patrão do Chelsea, com vontade de investir no mundo do futebol. O truque era evitar que fossem gastar as suas fortunas além-fronteiras. Nos dois anos seguintes o governo russo concedeu apoios e benesses aos senhores do petróleo para que gastassem as suas fortunas em remodelar um campeonato decrépito e caído em desgraça. A Federação Russa de Futebol pagou milhões a Guus Hiddink para pegar na equipa que tinha sido vergonhosamente afastada da corrida ao Mundial da Alemanha. Convenceu a UEFA que estava na hora de Moscovo receber uma final europeia. E deixou que as grandes empresas, estatais e privadas, fossem tomando conta dos maiores clubes russos. Em pouco tempo CSKA Moscow, Zenith St Petersburg, Spartak Moscow, Torpedo Moscow, Alania Vladikvaz ou Dinamo Moscow passaram para as mãos de ilustres desconhecidos, protegidos atrás da capa dos seus milhões.

 

A politica funcionou. Nos últimos três anos o futebol russo tornou-se numa referência fora do quinteto habitual, referenciado pela UEFA como a linha da frente do futebol europeu. A queda desportiva do Calcio, o renascimento da Bundesliga e Ligue 1 e o progressivo endividamente da Premier League e da Liga BBVA eram deixados para segundo plano. O triunfo do Zenith na final da Taça UEFA, a ascensão da liga ucraniana (uma cópia em miniatura do modelo aplicado na Rússia) e a chegada aos Urais de vários craques a peso de ouro, desequilibrou a balança. O trabalho de formação - há anos paralisado - começou a dar os seus frutos e surgiram os Arshavin, Pavluychenko, Prognebyak, Akinfeev, Zhirkov e companhia. Hoje já uma nova geração preparada para tomar o seu lugar. Mas o cenário mudou radicalmente. Não só a especificidade de calendário - o campeonato arranca em Março e extende-se até Novembro -  tem provocado vários problemas de gestão aos principais clubes, como tem prejudicado as suas aspirações europeias. O sucesso espantoso do Zenith de Dick Advocaat não teve seguimento porque, pura e simplesmente, os clubes russso têm de disputar a Champions no final da época, quando os seus rivais estão ainda frescos. A campanha vitoriosa do CSKA, este ano, foi portanto ainda mais significativa. Mas não deixa de ser pontual. De igual modo, muitos dos jogadores são tentandos a sair da Rússia durante o mercado de Inverno, o que levou alguns clubes a optar pelo modelo de empréstimo de três meses para minorar a perda de algumas das suas pérolas. Até agora, sem efeitos concretos. Mas é o aspecto financeiro, o mesmo que serviu de empurrão para a liga russa assaltar o sexto lugar das mais importantes da Europa, aquele que está a colocar tudo em cheque.

 

A crise financeira atacou a Rússia da mesma forma que o resto do Mundo.

E começou a fazer as suas vitimas. Vários clubes russos falseiam as contas para esconder o seu imenso buraco de dividias. Muitos foram usados pelos seus donos como cabeças de turcos para outros negócios que agora começam a vir à tona. E o Estado já não parece tão interessado em tapar buracos. Durante este defeso duas equipas estiveram perto de fechar as portas. E há mais, diz-se, que estão perto da falência. A queda da GDP arrastou o FK Moskva para o fim. Tal como havia sucedido com o histórico Torpedo meses antes. E empresas chave como a Gazprom (dona do Zenit), Lukoil (patrona do Spartak) ou Bashneft (ligada ao CSKA) começam a calcular o risco que significa injectar dinheiro numa liga de onde sacam muito pouco rendimento. Porque se as ligas inglesa e espanhola vivem entre dividias, também é verdade que geram muito dinheiro com os direitos televisivos e o naming dos seus principais emblemas. Na Rússia isso não sucede. O mercado televisivo é baixo para a posição hierárquica do campeonato e os seus clubes têm apenas expressão doméstica. E precisam dos seus patronos como de pão para a boca para sobreviver. Sem eles, é o colapso. Como sucedeu o ano passado com o Tom Tomsk, não fosse a rápida acção de Putin. Que se diz que este ano já teve de voltar a fazer o mesmo, off the record, com o modesto Krylya Sovetov. E até o campeão Rubin Kazan, que vendeu a sua grande estrela no defeso, parece viver um futuro bastante incerto.

 

No meio disto tudo a bola começa este fim-de-semana a rolar. O Kazan venceu a Supertaça  e confirmou o seu favoritismo, enquanto o CSKA estará mais atento ao duelo com o Sevilla do que às primeiras jornadas da liga. Zenith e Spartak sabem que têm de arrancar determinados para não perder depressa o comboio. Todos os quatro candidatos juntaram um sólido onze repleto de estrelas. Dzagoev, Krasic, Honda, Akinfeev, Kerzakhov, Ansaldi, Natcho, Bukharov, Alex, Drincic e Lazovic serão os nomes próprios da prova. Mas é o medo a que nem todos cheguem à meta final que paira sobre um espectáculo com uma luz muito própria que se prepara para desafiar o último sopro do Inverno.


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Miguel Lourenço Pereira às 10:59 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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