Terça-feira, 9 de Março de 2010

largos, larguíssimos meses, que a mediocridade paira sobre os céus cinzentos da Invicta. Mas a equipa que ainda ostenta o escudo de campeã de Portugal nunca tinha descido tão baixo. Naquela que foi, muito provavelmente, a mais humilhante exibição de uma equipa portuguesa nas competições europeias na última década, o FC Porto confirmou o certificado de defunção. O campeão está, oficialmente, morto.

No Emirates Stadium não se viu um FC Porto muito diferente daquele que fomos vendo ao longo deste ano. Mudou o resultado final, expressivo das debilidades e infantilidades defensivas da equipa de Jesualdo Ferreira. E da eterna ineficácia ofensiva que seca a pólvora azul e branca, especialmente em terras de sua Majestade. O FC Porto já tinha trazido dois 4-0 de Inglaterra. Dolorosos. Mas com consequências distintas. Não é aqui o quinto golo, tão evitável como qualquer outro dos quatro, que faz a diferença. Mas ajuda a afundar ainda mais uma equipa à deriva, mergulhada na eterna mediocridade. Assim foi o Porto de Londres. Uma equipa partida, sem ideias, e sem estofo. Há clubes que participam na Champions League e cuja a fase de Grupos já lhes vem grande. Passar à seguinte etapa é entrar na elite. E aí percebe-se facilmente se há algum infiltrado. E da mesma forma que o clube das Antas já foi um dos mais belos e refrescantes participantes das últimas edições da Champions, desta vez ficou a nu que o lugar dos portugueses não estava aqui. Como não será para o ano. Sejamos honestos, este FC Porto não tem nível para provas deste calibre. O resultado, é expressivo, e está á vista de todos. Os gunners agradecem.

 

O Arsenal nem fez um grande jogo. Não precisou. O FC Porto fez tudo o que era preciso para ser eliminado. E ajudou a fabricar a goleada. Jesualdo Ferreira, um verdadeiro treinador de bancada, cometeu o mesmo erro que Antonio Oliveira há 14 anos atrás. Na posição-chave - particularmente no seu 4-3-3 retraído e medroso - lançou para o lugar de Fernando o jovem Nuno André Coelho. Sem ter jogado na prova e com pouco mais que cinco jogos este ano pela equipa principal. Sem rotinas de jogo, esteve perdido a cada segundo. Olhava desesperado a pedir ajuda a Meireles e Micael. Não ganhou um lance e saiu ao intervalo. Desnecessariamente humilhado. Como Costa no Old Trafford de 96, também Nuno Coelho ficará marcado pelo festival de futebol que Rosicky, Nasri e Arshavin praticaram debaixo dos seus olhos. Mas o jovem foi apenas um dos onze buracos do barco que chegava orgulhoso a Londres com um golo de vantagem. Afinal o FC Porto nunca tinha perdido uma eliminatória partindo em vantagem. Nem isso os salvou. O golo madrugador do dinamarquês Niklas Bendtner empatou a eliminatória e obrigou o FC Porto a fazer aquilo que, pura e simplesmente, não sabe fazer: atacar. Hulk, essa debilidade de Jesualdo, continua a dar razão aos (poucos) que nele não vêm mais do que um adicto ao ginásio. Nenhum gesto futebolistico em 90 minutos. Conversados ficamos. E se Falcao, sempre ele, lutou contra tudo e todos, mais ninguém se salvou. Varela emudecido, Alvaro Pereira descoordenado, Meireles e Micael sem classe. E Fucile, o principal responsável dos números assustadores com que se fechou o jogo, fica como simbolo perfeito do Porto de Jesualdo: sul-americano, infantil e sem classe.

 

O Arsenal até podia ter ganho por mais tal foram os erros defensivos dos azuis e brancos. O passe infantil de Fucile no segundo golo mostrou o nível mental da equipa. Sem espirito competitivo, o FC Porto veio-se naturalmente abaixo. Os gunners nem tiveram de acelerar muito. E jogaram pouco. Mas a diferença é gritante. Nasri brincou, literalmente, contra três jogadores do Porto antes de apontar o terceiro. Um mau canto ofensivo (mais um), um péssimo alivio de Fucile e mais um erro de marcação deram a Eboué o quarto. E o desastrado lateral uruguaio permitiu o penalty que fechou as contas. O FC Porto actual, com este jogo sem ideias e contundència, lutaria na parte baixa da tabela da Premier League. Triste, mas verdade. O modesto Hull, que recebe o Arsenal no sábado, certamente dará uma replica bem distinta dos azuis e brancos. Apesar de ser a única equipa portuguesa realmente bem sucedida na Europa nos últimos 20 anos, o FC Porto hoje fez o ridiculo. Confirmou que o projecto de Pinto da Costa e Jesualdo Ferreira não é mais do que cinza espalhada pelos rostos de quem ainda neles acredita. Fica provado que a aposta pelo lucro fácil e imediato (com as sucessivas manobras ocultas de bastidores) tem um preço. A dez minutos do fim Varela e Micael saem. Guarin e Mariano entram. Palavras para quê.

 

A humilhação azul e branca salpica um trabalho de anos. Um clube com prestigio europeu que deixa a prova rainha do futebol pela porta mais pequena. Ao contrário da outra eliminada da noite - a Fiorentina, uma equipa sem historial na prova mas que disputou o apuramento até ao último segundo - o FC Porto é um dos clubes com mais participações na Champions. E o dinheiro do apuramento para a fase eliminatória até pode ter pago o prémio de final de época de um qualquer administrador da SAD, mas amanhã os dragões não se livram de ser a chacota do futebol europeu. E não há mais que dizer!



Miguel Lourenço Pereira às 22:21 | link do post | comentar

4 comentários:
De Vitor Zenha a 10 de Março de 2010 às 13:21
Este Jesualdo, deitou por terra o prestígio que temos vindo a construir ao longo dos anos na Europa.

Mais uma vez inventou, mais uma vez sofremos na pele.

Ainda me lembro do tempo em que era impensável o FCP perder pontos em 2 jogos seguidos, quanto mais ser goleado consecutivamente.

Lembro-me de uma frase do Mourinho depois de perder um jogo: "alguém vai pagar as favas!!"... e esse alguém foi o Sporting na jornada seguinte.

É esta mentalidade de garra, de querer, que deixou de existir no FCP.

Já não há jogadores à Porto... Um João Pinto, um Fernando Couto, um Paulinho Santos, um Jorge Costa, um Vítor Baía... ´

Agora é só meninos ricos e vaidosos, mais preocupados com o gel no cabelo, ou as cores das chuteiras.

Estou mesmo frustrado com esta incompetência... e ainda há que lembrar que a continuar neste caminho vamos levar mais 3 ou 4 do Benfica na taça da cerveja!

Com este treinador só fomos campeões porque os outros foram muito piores!

Se o Domingos for contratado, pode ser que incuta algum do espírito à PORTO!

Abraço


De Miguel Lourenço Pereira a 10 de Março de 2010 às 16:46
Muito mal tem de estar o FC Porto para contratar alguém como Domingos.

O mediatismo fácil pode ser uma perdição. E é acima de tudo um risco. Desnecessário. O facto de Pep Guardiola ser um génio, não faz com que Domingos ou Jorge Costa o sejam. E a genialidade ainda não é contagiosa, pelo que Vilas-Boas pode continuar a estudar. Em Portugal pensar pequeno é habitual e cingir-se aos santos da casa, pecado mortal. Um exemplo.

O pai do Manchester United moderno, o homem que antes de Ferguson deu sentido ao termo Red Devil, foi jogador do Liverpool e Man City, os dois grandes rivais do United. E não foi por isso que deixou de marcar o clube de uma forma que só Ferguson soube adaptar ao seu estilo. E ninguém se preocupa hoje que sir Matt Busby tenha tantas vezes ganho no campo ao próprio United. Nao digo que isso faz de homens como Paulo Bento ou Paulo Sousa (como tenho ouvido) homens certos para o cargo. Nao o sao. Mas também nao faz de técnicos medianos a soluçao para uma revolução desportiva necessária só por terem jogado de dragao ao peito.

O que o FCP precisa é de uma limpeza geral. De politica desportiva e adminstrativa. De cargos e directivos. De staff e jogadores. Atirar a culpa aos últimos é o fácil, mas só estao ali porque antes alguém achou que mereciam estar. O erro de julgamento inicial é o responsável, quando se perde, da mesma forma que o acerto é a base da vitória. Quem celebra os titulos deve admitir as derrotas. E quem pede mérito pelos triunfos deve perceber que a sua hora chega quando a sua formula nao funciona.

Cabe aos accionistas e aos socios tomarem medidas. Caso contrário, pura e simplesmente, estarão a comer mais do mesmo. O problema é que já estão demasiado habituados a não queixar-se do Papa com medo de ofender a Deus.

um abraço


De José António França a 11 de Março de 2010 às 01:51
Lapidar, Miguel... Exactamente o que penso do Porto, só que não o saberia explicar tão bem, nem tão detalhadamente. Um dos casos mais impressionantes é o Hulk . Como é que um jogador tão burro chega à primeira linha do FCP ?
Para o Porto, ainda bem que teve aquele castigo.
Mas há outros casos, como tu bem citas... e o Jesualdo é um treinador medroso que tem, apesar de tudo, tido sorte. Mas a sorte não dura sempre. Refazer uma equipa destes cacos vai dar trabalho a quem vier, seja quem for...
Agora vou procurar o teu mais recente texto sobre o meu Benfica... há algum tempo que não passava por cá!
Abraço
Zé António ...


De Miguel Lourenço Pereira a 11 de Março de 2010 às 08:39
Viva Zé António,

O problema do FCP é muito pior que o técnico medroso ou o plantel repleto de mediocridade de que o Hulk é o exemplo perfeito. É já um problema estrutural, de mentalidade e postura desportiva e extra-desportiva. Não é dificil imaginar a desorganização interna em que se tornou aquela SAD. Basta lembrar o tal Benfica pós-Artur Jorge de 95 e no que se foi arrastando durante anos.

Refazer esta equipa é sem dúvida uma missão titânica. Em 2002 Mourinho encontrou um problema similar. Mas havia melhor matéria prima no balneario (Deco, Baía, J. Costa, R. Carvalho, McCarthy, Alenitchev) e génios como o português são bichos-raros. Não vejo em Portugal a mesma qualidade nas equipas pequenas que Mourinho descobriu em Derlei, P. Ferreira, N. Valente ou Pedro Mendes. Nem um técnico portugues com estofo para o labor que aí vem. E quanto a estrangeiros, desconhecedores da podridao desportiva do clube, pode funcionar por um curto mandato, mas nunca a longo prazo.

um abraço e bem vindo de volta


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Miguel Lourenço Pereira

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