Terça-feira, 9 de Março de 2010

Com mais uma edição (quantas já vão) da Liga Sagres pautada pela mediocridade, é dificil ir vendo os jogos nos relvados empapados lusos e descobrir algo que realmente seja relevante. O Benfica caminha em velocidade de cruzeiro para um titulo em que todos quiseram colaborar, desde a Liga de Clubes às SAD do FC Porto e Sporting. O Braga vai começando a mostrar a habitual fraqueza lusa. E os outros "grandes" vivem o ambiente oposto ao que experienciavam no início do ano. Logo atrás está o renascido Vitória. Uma boa noticia. Das poucas que Portugal nos guarda.

 

A contundente vitória por 2-0 diante do Nacional da Madeira confirmou o que se vinha suspeitando há meses que, inevitavelmente, ía suceder. O Vitória de Guimarães está já tranquilamente em postos europeus. Com o Sporting a apenas dois pontos (ambas as equipas têm as mesmas vitórias, nove) é legitimo para o conjunto vimaranense sonhar em recuperar um quarto lugar que, durante anos, foi a sua posição natural. Poucos se lembram hoje, mas o Vitória de Guimarães foi a única equipa portuguesa que este ano logrou derrotar os dois primeiros classificados da prova. O Benfica caiu na Taça de Portugal, o Braga sofreu no D. Afonso Henriques a sua primeira derrota da temporada. Sinal claro de que na "cidade-berço" está uma equipa talhada para os momentos decisivos. E que, como é sempre habitual nos conjuntos lusos, perde pontos quando menos se espera. O Vitória sofreu este ano demasiado com esse fado. Capaz de bater o pé aos primeiros, os vimaranense têm tido dificuldades contra clubes que nem são do seu campeonato. Porque com os da sua liga, como o Nacional, sabem o que querem. E vencem com claridade. E se o Nacional sem Ruben Micael e com um Manuel Machado ainda alheado, é efectivamente uma equipa mais inofensiva, a verdade é que a progressão vimaranense tem sido espantosa. E tudo começou com o erro da praxe.

 

A direcção vitoriana de Emilio Macedo arrancou a época com Nelo Vingada no banco.

Um técnico desactualizado, sem carisma e que nunca soube montar um onze atractivo e eficaz. Saiu cedo, como se esperava, deixando para trás meses de trabalho deitados borda-fora. Para o seu lugar, Paulo Sérgio. O jovem e ambicioso técnico do Paços de Ferreira tinha mostrado que a capital do móvel parecia já pequeno para a sua ascendente progressão. No D. Afonso Henriques encontrou um desafio à sua altura. Perdeu pontos importantes e chegou a estar no limbo onde vivem muitos dos técnicos portugueses. Aguentou-se. Apresentou bons resultados e um jogo atractivo. Fazendo esquecer aos adeptos o fosso financeiro onde volta a estar o clube e a peripécia das eleições que, adivinha-se, voltarão a servir como tiro no pé, montou uma equipa sólida e séria. Com Nuno Assis e Rui Miguel soltos no apoio ao único avançado, Roberto. E com Desmarets como falso extremo. Um quarteto desiquilibrante que acenta também no trabalho cirúrgico do meio-campo, com João Alves e Moreno. A ajuda dos laterais - o regressado Alex e o rapidíssimo Andrezinho - e a segurança do brasileiro Nilson fazem o resto. E mesmo que os centrais não tenham a segurança de outra dupla, o trabalho de equipa nota-se tanto a atacar, como a defender. O Vitória que andou nos primeiros meses na zona baixa da tabela, a ver a despromoção ali bem perto, sabe agora que pode voltar ao seu lugar natural na classificação. E não fosse a notável campanha do eterno rival minhoto, e este seria um ano para festejar.

Na próxima jornada a visita a Alvalade servirá como tira-teimas para os adeptos do Vitória. Na melhor das hipóteses o conjunto vimaranense pode sair de Lisboa com o quarto lugar no bolso, a sete jogos do fim. O calendário que tem não é o mais favorável, mas a vantagem seria significativa. Qualquer outro resultado manterá tudo em suspenso. Há cinco equipas para dois lugares. Num ano onde os históricos do nosso futebol confirmam que o nome é cada vez menos sinal de sucesso, começa a ser hora do Vitória de Guimarães reinvindicar o seu estatuto e voltar a encarar, olhos nos olhos, para a Europa. 



Miguel Lourenço Pereira às 14:44 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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