Terça-feira, 2 de Março de 2010

Robinho desvia de calcanhar um centro milimétrico mas os adeptos do City nem viram. Adriano volta a celebrar um título mas não na Madoninna. A festa é no Corcovado. Ronaldo e Roberto Carlos voltam a abraçar-se depois de um golo mas estão a milhares de quilómetros de Madrid. Que se passa com o futebol brasileiro? Num curto espaço de meses alguns dos mais ilustres internacionais brasileiros fizeram as malas e voltaram ao Brasileirão. Um fluxo contraditório num país exportador por natureza e que nos mostra um novo rosto de uma liga que continua a viver a anos-luz do seu potencial.

 
É ano de Mundial. Todos os brasileiros sonham com vestir a camisola do “escrete canarinho”. É inevitável. Mas Dunga só pode levar 23. E já tem uma boa ideia de quem quer ao seu lado. Robinho dúvida. A jogada saiu-lhe mal. Forçou a saída do Real Madrid para o emergente Manchester City mas os citizens continuam a ser uma equipa pouco competitiva. E o craque brasileiro passou a ver os jogos do banco. Da bancada. Desde casa. Entrou-lhe o receio de falhar o Mundial e voltou a forçar. O Barcelona não mordeu o isco. Sobrava o Santos. O seu Santos. As negociações foram simples e o franzino malabarista voltou a casa. Voltou ao “Peixe”.
O regresso de Robinho à Série A brasileira é a grande nota de um mercado de transferências pouco mexido. Mas é também o último caso de um fenómeno que tem marcado a actualidade desportiva no Brasil. Durante o último ano vários jogadores brasileiros de renome internacional decidiram abandonar a Europa e voltar ao Brasil. Para uns o regresso é um ponto final. Para outros, um ponta de partida necessário.
 
Eduardo Tironi, jornalista do Lance, não tem dúvidas. “Os jogadores que voltam não eram titulares na Europa e tinham medo de falhar a convocatória para o Mundial." Uma resposta válida, especialmente no caso de Robinho.
Mas o fenómeno é bem mais abrangente do que a simples realização de um Mundial em Junho, precisamente quando a Série A arranca. Em jogadores como Ronaldo e Roberto Carlos, ambos contratações do Corinthians, pode olhar-se para um final de carreira com chave-de-ouro. O histórico lateral-esquerdo cansou-se do futebol turco e sem mercado na Europa decidiu acompanhar o amigo Ronaldo. O “Fenómeno” foi pioneiro. Quando ninguém na Europa estava disposto a arriscar em contratá-lo surgiu o “Timão”. Ronaldo nem hesitou. Agora é um dos goleadores da equipa.
Se historicamente é normal encontrar velhas estrelas que voltam a casa, a verdade é que a débil situação de muitos clubes levou os jogadores a procurarem outros retiros. O Japão, o Cazaquistão, Estados Unidos ou até mesmo a liga russa pareciam melhores opções financeiras. O Brasil é ainda um risco. “Eu diria que os clubes brasileiros estão mais preparados financeiramente", explica Tironi,mas ainda não podem competir com os clubes europeus".
 
Mas nem só de velhas glórias se registam os voos de chegada ao Brasileirão.
Profissionais de elite como os avançados Vagner Love ou Fred e ainda jogadores com mercado na Europa como Cicinho são uma importante mais valia para uma prova que todos os anos perde dezenas de jovens promessas para os campeonatos europeus. São regressos mais discutíveis. Nalguns casos, como sucede com Fred, Rochemback ou Cicinho, estamos a falar de jogadores que procuram relançar no Brasil uma carreira que se foi apagando lentamente na Europa. Uma boa temporada na Série A pode voltar a valorizá-los a ponto de um grande europeu arriscar em repescá-los. Tal como Kléber, que o FC Porto esteve perto de contratar, e que depois de ter falhado uma experiência europeia no Dynamo Kiev, voltou ao Brasil para relançar a carreira internacional.
Já outros jogadores como Diego Tardelli ou Vagner Love parecem preferir o futebol brasileiro. Tiveram experiências na Europa – Love consagrou-se como um dos jogadores da década da liga russa – mas com os contratos a chegar ao fim entenderam que o seu estilo de jogo se adequa mais a um grande brasileiro que a uma equipa sem grandes aspirações nas ligas europeias. Efectivamente estas incorporações, que são transversais aos grandes brasileiros, reforçam o nível qualitativo do campeonato. Adriano, que forçou a dispensa com o Inter anunciando que ia tomar um ano sabático, assinou pouco depois pelo Flamengo a tempo de ajudar a “Gávea” a recuperar o titulo de campeão. É com esse plus de qualidade que estes jogadores, que trazem uma bagagem táctica e mental importante, que os clubes contam.
 
O futebol brasileiro continua a ser um enigma deste lado do Atlântico. A pré-temporada já arrancou e as equipas preparam-se para disputar primeiro os respectivos campeonatos estatais. Só em Maio arrancará a Série A, o celebre Brasileirão. Até lá alguns dos jogadores brasileiros de regresso a casa terão esgrimido todos os argumentos para convencer Dunga. Outros, pura e simplesmente, procurarão encontrar o seu espaço no novo clube. Resta saber se o fenómeno que tem atravessado o ano desportivo no Brasil é temporário ou se a Série A começa a tornar-se efectivamente uma liga competitiva e atractiva. Uma liga com direito à sua constelação de estrelas.


Miguel Lourenço Pereira às 07:20 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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