Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

 

São dois nomes marcantes da história do futebol europeu. Seguem a tradição latina de mediatizar a figura do Presidente como entidade toda poderosa do clube, sempre por encima de técnicos, jogadores, adeptos…Quando o primeiro deixou a presidência do seu clube, por falecimento, o segundo ainda não tinha chegado ao cargo. Mas há coisas que mais que os separar, os unem. O primeiro montou uma equipa de sonho e fez do seu clube o maior do século XX em títulos conquistados. Era, até hoje, o presidente mais laureado da história. O segundo pegou num clube desprezado por um país centralizado e transformou-o numa potência europeia, sendo, nestes nove anos que levamos de século novo o clube com mais conquistas na Europa. E é agora o detentor do recorde de conquistas numa só figura presidencial.
Santiago Bernabeu Yeste e Jorge Nuno Pinto da Costa. Dois nomes para a história. 

 

Fidelidade eterna a um só clube e um compromisso a 100%, as vinte e quatro horas do dia. Este é outro dos aspectos que unem o mítico presidente do Real Madrid e o actual mandatário do FC Porto. O primeiro desapareceu em plena década de 70, com a sua equipa numa curva descendente, dentro e fora de portas. Deixou um legado único na história do futebol e viu o “seu” Chamartin ser rebaptizado com o seu nome. Com 6 Taças dos Campeões Europeus (cinco consecutivas) e várias ligas e taças, era o presidente mais bem sucedido da história. Até hoje. A conquista do Tetracampeonato do FC Porto tornou Pinto da Costa no presidente com mais ligas conquistadas – 17 – e a possível vitória na Taça de Portugal, frente ao Paços de Ferreira, pode consolidar ainda mais o seu palmarés como um dos presidentes mais bem sucedidos da história. E da mesma forma que o clube espanhol foi o que mais títulos conquistou ao largo do século XX, sendo galardoado pela FIFA como o clube do século, nestes nove anos desta década o FC Porto é a equipa com mais provas conquistadas, um pecúlio que poderá ampliar no final do mês. Dois clubes de dimensão distinta mas com a mesma eficácia de conquista.

 

Depois de largos anos como jogador e treinador, Santiago Bernabeu tornou-se directivo do Real Madrid no final dos anos 30. Em 1943 tornou-se presidente de um clube que então não liderava o futebol espanhol, face à supremacia do Barcelona e Athletic Bilbao. A chegada do novo presidente supôs uma alteração total na filosofia madridista. A construção do novo estádio em Chamartin e a criação de uma equipa repleta de jogadores da casa com direito a contratações “galácticas” montou uma verdadeira máquina de ganhar. Aos Rial, Molowny, Muñoz, Santamaria e Gento contrapunham-se os gigantesco Kopa, Puskas e Di Stefano, o homem roubado ao rival Barcelona e que lideraria a geração de 50, capaz de vencer cinco Taças dos Campeões consecutivas. A entrada nos anos 60 foi mais complicada, com eliminações diante do rival Barcelona e na final de Amesterdam com o SL Benfica, mas enquanto dominava o campeonato espanhol, iam-se lançando as bases para uma nova equipa de dimensão europeia, que em 1966 voltou a conquistar a máxima prova europeia numa equipa só com jogadores espanhóis. O Real Madrid vivia o seu período dourado e teria de esperar mais de 30 anos para voltar a festejar na Europa. Até à sua morte Bernabeu tornou-se no ícone do próprio Madrid. Substituía treinadores que não lhe agradavam, lançou jovens craques da casa e terminou com carreiras de jogadores veteranos que já não eram do seu agrado. Resumia na sua pessoa o espírito da Espanha franquista arrogante e autoritária, comandando desde o seu escritório em Madrid quase todo o futebol espanhol. A sua morte – por doença – deixou de luto os adeptos merengues. Foi então que o próprio Real entrou num período descendente até que nos anos 80 nasceria outra geração da casa capaz de resgatar o historial do clube da penumbra. Mas isso já com o fantasma Bernabeu a ver desde as alturas. 

Enquanto Bernabeu se despedida do mundo do futebol, Jorge Nuno Pinto da Costa (1937) juntava-se a José Maria Pedroto para refundar o FC Porto. Depois de 19 anos sem vencer uma liga, o clube da Invicta finalmente voltou a festejar um título de campeão repetindo a proeza no ano seguinte. Na altura Pinto da Costa era só director de futebol mas a guerra interna com o presidente Américo de Sá provocaria uma pequena rebelião que terminou em 1982 com o dirigente a ser eleito presidente. Apesar da forte crise institucional e desportiva do clube azul estavam lançadas as bases para um domínio avassalador. Em 27 anos o presidente portista conquistou 17 títulos de campeão (quando chegou ao clube o FC Porto tinha apenas 7), 2 Taças dos Campeões Europeus, 1 Taça UEFA, 1 Supertaça Europeia, 2 Taças Intercontinentais e um sem número de Taças de Portugal e Supertaças. O clube azul e branco tornou-se na primeira força nacional (apesar de estar a sete títulos de igualar o SL Benfica no total de ligas) e num clube de primeiro nível europeu. Um feito para uma instituição limitada por um país e campeonato de nível médio e de uma cidade de poucos recursos para combater com os grandes magnatas do futebol europeu. Durante este período Pinto da Costa sempre procurou manter-se como o símbolo dos dragões. Os treinadores nunca duravam mais do que dois anos (Fernando Santos e Jesualdo Ferreira foram os únicos a ficar três anos consecutivos) por muito que ganhassem e as equipas eram feitas à sua medida. Já viu passar mais de três gerações de campeões e lançou as bases para o futuro do clube. Ao contrário do presidente madrileno o estádio que erigiu não tem o seu nome…ainda.

 
A verdade é que há poucos nomes tão consensuais na história do presidencialismo desportivo. Um fenómeno ausente nos países do centro e norte da Europa mas chave na Europa latina. Do celebre Moratti do Inter de Milan dos anos 60 ao Nuñez do Barcelona do Dream Team, do Tapie marselhês ao Calderon e Gil y Gil do Atlético, de Berlusconi a Fernando Martins ou João Rocha, raro é o grande clube latino que não tem, no seu historial, um presidente que marcou uma era de glória. Mas nenhum com o impacto e o sucesso destes dois nomes. Curiosamente o homem que olhava com desprezo para o futebol português tem agora por sucessor um dos responsáveis pelo facto de Portugal ainda poder enviar umas quantas equipas às provas europeias. Curiosidades da vida…


Miguel Lourenço Pereira às 15:06 | link do post | comentar

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Miguel Lourenço Pereira

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