Sábado, 9 de Janeiro de 2010

Hoje em dia qualquer treinador gosta de ter como pivot defensivo um jogador com caracteristicas particular: deve ser alto, possanto, rápido, bom a sair com a bola nos pés e possante. A juntar isso, preferencialmente, de origem africana. Um contexto hoje banal em qualquer liga europeia. Mas houve uma época em que a situação era bem distinta. Até que apareceu no Arsenal Patrick Vieira. O marechal está de regresso à Premier!

Há um antes e um depois na concepção táctica do médio defensivo com Patrick Vieira.

É provavelmente um dos jogadores mais completos das últimas décadas, um médio de encher o campo com a precisão dos seus movimentos. Possante como poucos, elegante de forma súbtil, Vieira foi o fiel da balança da equipa que redefiniu o jogo bonito a finais dos anos 90. Arsene Wenger percebeu rapidamente que o então jovem médio francês era o elemento ideal para equilibrar a sua balança. Levou-o para Higbury Park - com outro francês de enorme classe, Emanuel Petit - e montou um meio-campo que faria história. Antes de Vieira os médios-defensivos eram habitualmente jogadores baixos e entroncados. Viviam do choque, do golpe e poucos sabiam sair a jogar com a bola. Eram elementos fisicos, operários em equipas de charme. Com Vieira passaram a ser refinados, inteligentes e óptimos leitores de jogo. Com o Arsenal e a França de finais dos anos 90 o médio-defensivo tornou-se no primeiro pensador de jogo ofensivo. Distinto da escola do 4 do Barcelona - onde pontificava então Guardiola - o médio francês era o perfeito aliado do corpo e mente. A sua origem africana - nasceu no Senegal - dava-lhe a força e resistência perfeitas para o lugar. A sua classe definia-o como um jogador desiquilibrante a qualquer momento do jogo.

Durante 10 anos Patrick Vieira viu nascerem sucessivos clones do seu estilo de jogo.

O sucesso do Arsenal de Wenger - onde o médio combinava na perfeição com Petit, Pires, Ljunberg, Bergkamp e Henry - levou a que quase todos os treinadores começassem a procurar imitar o seu modelo de jogo. Encontrar médios fortes fisicamente e de bom toque de bola passou a ser a prioridade em cada defeso. Mourinho encontrou Costinha no FC Porto, o ganês Essien e o nigeriano Obi Mikel no Chelsea e Muntari no Inter. O Barcelona conta com a dupla Keita-Touré. O Real Madrid viveu largos anos à sombra do trabalho de Makelelé. Em França qualquer equipa começou a trabalhar no mercado africano os Diarra, Haruna, Mensah e afins e até mesmo a Itália dos médios-defensivos clássicos não deixou de procurar as suas alternativas e recebeu de bom grado os "gigantes africanos" que seguiam a escola do mestre senegalês. O método Vieira era uma forma refinada de aliar a constante exigência do futebol de alta competição contemporâneo. A passagem da maioria das equipas a um 4-3-3 com um pivot-defensivo (que mais tarde gerou o 4-2-3-1 hoje tão a uso) pedia um jogador que fosse uma âncora defensiva mas que também desse a possibilidade à equipa de começar a jogar rapidamente desde o seu bloco defensivo. Médios excessivamente fisicos da onda de Roy Keane ou Mauro Silva perdiam essa lucidez. Médios excessivamente técnicos como Sammer, Mathaus, Guardiola e companhia eram demasiado ligeiros para arcar defensivamente com o duro jogo do ataque rival. Vieira tinha tudo o que era necessário. E a sua explosão foi revolucionária.

 

Depois de ter arrancado ao lado de Zidane - com que formou uma dupla histórica na equipa dos Bleus de 1996 a 2006 - no Cannes, o médio passou pelo AC Milan antes de ser repescado por Wenger para o seu novo projecto em Londres. Aí esteve sete anos e deixou uma profunda marca no estilo de jogo ofensivo da equipa londrina. Apesar de indisciplinado, Vieira era respeitado por tudo e todos e a sua saída, para a Juventus em 2005 foi um duro golpe às pretensões europeias de Wenger, como este viria a admitir. Desde então o francês procura um sucessor ao médio, de Diaby a Denilson, passando por Flamini e Fabregas, numa primeira fase mais recuado no campo. Sem o mesmo efeito.

Vieira foi feliz em Itália. Dominou a seu belo prazer o meio-campo da Juventus e permitiu a Del Piero, Nedved, Ibrahimovic e Trezeguet a mesma liberdade que dava aos companheiros do Arsenal. Com a descida de divisão do clube de Turim seguiu o sueco e mudou-se para o Inter, onde entrou em colisão com Mourinho. Curiosamente o português é um dos maiores apreciadores do seu estilo de jogo. Mas é pragmático. O Vieira de hoje em nada se assemelha ao jogador que há dez anos deixou a Europa boquiaberta. E deixou-o partir

Por isso Patrick Vieira volta à Premier League.

O Manchester City, novo rei dos milhões, acredita que o francês ainda tem qualidade para equilibrar o meio-campo dos citizens. Uma aposta pessoal de Mancini, o seu primeiro técnico em Milão. Apesar do conjunto de Manchester contar com um meio campo sólido (Johnson, De Jong, Weiss, Barry), o técnico vê o médio francês como a chave para encontrar o equilibrio perfeito. A expectativa é imensa. A recordação de Vieira é forte e em ano de Mundial o médio quer ter a sua última oportunidade. Consiga-a ou não, Patrick Vieira é parte da história viva do jogo, uma lembrança inesquecível de três equipas chave para compreender a evolução futebolistica dos últimos 15 anos. Um homem nascido para ganhar!



Miguel Lourenço Pereira às 19:36 | link do post | comentar

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